ONU

Sampaio pede na ONU plano para reforçar o Ensino Superior em emergências

Sampaio pede na ONU plano para reforçar o Ensino Superior em emergências

Jorge Sampaio propôs, esta sexta-feira, na ONU um mecanismo para reforçar o sistema de Ensino Superior em situações de emergência, lembrando que na Síria já se perdeu uma geração de licenciados.

Numa conferência nas Nações Unidas, em Nova Iorque, Jorge Sampaio, que em 2013 lançou a Plataforma Global para os Estudantes Sírios, lançou um alerta para a necessidade de "fazer mais, melhor e mais depressa para reforçar o Ensino Superior em situações de emergência".

Sampaio lembrou que é reduzida a ajuda humanitária que se destina à Educação em emergências, pelo que milhões de crianças continuam fora da escola e sublinhou que, entre os 18 e os 25 anos, apenas 1% dos refugiados tem acesso ao Ensino Superior.

"São números chocantes", disse o ex-alto representante para a Aliança das Civilizações, que quer aproveitar a Cimeira Mundial Humanitária, prevista para maio na Turquia, e a reunião de alto nível da Assembleia Geral da ONU sobre refugiados e migrantes, em setembro, para mudar o panorama da Educação Superior em situações de emergência.

A proposta de Sampaio é a criação de um Mecanismo de Resposta Rápida para o Ensino Superior, com a comunidade académica global no seu centro. "Isto significa que universidades e outros fornecedores de serviços académicos devem juntar-se e trabalhar a todos os níveis - local, nacional, regional e global" para alcançar este objetivo.

Sampaio propôs um sistema de financiamento que apoie programas de emergência para permitir o acesso de refugiados e deslocados ao Ensino Superior, o que passaria por uma dotação inicial feita por um pequeno grupo de entidades - países, fundações, filantropias e setor privado.

Para manter a sustentabilidade do programa, Sampaio sugeriu uma contribuição voluntária anual de um dólar ou um euro por aluno universitário, professor ou investigador a nível mundial.

"Com mais de 200 milhões de estudantes em todo o mundo (e os números estão a aumentar) este é um recurso inexplorado que poderia fazer a diferença", afirmou.

Sampaio sublinhou que o Ensino Superior em emergência "não é um luxo" e argumentou que, se os momentos de crise não forem usados para formar a próxima geração de líderes, "a recuperação, a transição e a reconstrução não serão mais do que um trajeto incerto, frágil, perigoso e ilusório".

O ex-presidente português exemplificou com o caso na guerra na Síria, que em cinco anos provocou "a maior crise de deslocação académica no mundo, com uma estimativa de 70 mil estudantes universitários deslocados no Líbano, 20 a 30 mil estudantes 'com formação universitária' na Turquia e pelo menos 15 mil na Jordânia".

"Com a guerra a entrar no seu sexto ano, já perdemos uma geração inteira de licenciados. Se um Mecanismo de Resposta Rápida como este estivesse operacional, poderíamos tê-lo evitado", disse.

Outras Notícias