Comércio

Jornal do PCC defende interação China-Europa

Jornal do PCC defende interação China-Europa

Um jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC) sugeriu que a Aliança Transatlântica é obsoleta no século XXI e defendeu que a Europa "tem mais a ganhar na interação com a China".

Em editorial, o "Global Times" lembra que os laços tradicionais de Defesa com os EUA se formaram durante a Guerra Fria, "mas não se conformam às exigências da Europa e do mundo de hoje".

"A Europa ganhará mais em interagir com a China e encontrará o seu lugar no século XXI", afirma o jornal em inglês do grupo do Diário do Povo, o órgão central do PCC.

Lembrando que os EUA "estão decididos a obstruir a China em todos os aspetos, do comércio à tecnologia", o "Global Times" afirma que a Europa "não deve alinhar" nesse processo, "para bem dos seus próprios interesses".

O editorial, intitulado "Se a Europa continua a alinhar nas loucuras dos EUA não haverão benefícios", surge numa altura em que alguns países europeus, incluindo Portugal, aprofundam a sua parceria com a China, apesar da oposição aberta de Washington.

Em causa está o apoio ao projeto internacional de infraestruturas lançado pela China "Faixa e Rota", que materializa a nova vocação internacionalista de Pequim.

A iniciativa visa integrar o sudeste Asiático, Ásia Central, África e Europa, através da construção de portos, aeroportos, autoestradas ou linhas ferroviárias, ao longo de vários continentes, colocando a China no centro da futura ordem mundial.

Esta semana, após Roma ter afirmado que vai assinar um memorando de entendimento no âmbito da iniciativa, a Casa Branca disse que a inclusão de Itália nos planos chineses não ajudará o país economicamente e pode prejudicar significativamente a sua imagem internacional.

"Nós vemos [a Faixa e Rota] como uma iniciativa 'Made by China, for China' [Feita pela China, para a China]", reagiu de imediato o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Garrett Marquis.

Também Portugal assinou um documento para cooperação bilateral no âmbito da "Faixa e Rota", em dezembro passado, durante a visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Lisboa.

Lisboa quer incluir uma rota atlântica no projeto chinês, o que permitiria ao porto de Sines conectar as rotas do Extremo Oriente ao oceano Atlântico, beneficiando do alargamento do canal do Panamá.

A celebração desse documento não foi abertamente criticado por Washington, mas um acordo assinado entre a Altice e a gigante chinesa das telecomunicações Huawei, para o desenvolvimento de tecnologia de Quinta Geração (5G) no mercado português, foi, na semana passada, alvo de advertências por parte dos EUA.

"Temos sido bastante claros com os nossos parceiros de segurança, temos de proteger a nossa infraestrutura crítica de telecomunicações", afirmou então o embaixador norte-americano em Portugal, George Edward Glass.