França

"José" arrisca ir para a prisão por libertar os espaços verdes de Paris

"José" arrisca ir para a prisão por libertar os espaços verdes de Paris

Um homem abre os parques fechados a cadeado na cidade de Paris durante a noite para permitir que as pessoas passeiem um pouco durante o dia. A autarquia liderada por Anne Hidalgo tinha pedido ao Governo a reabertura dos espaços verdes, mas o encerramento mantém-se em vigor.

Paris é a capital europeia com a maior densidade populacional, mais de 20 mil pessoas por quilómetro quadrado. Se quisermos comparar, Lisboa tem cerca de cinco mil. Uma grande diferença, sobretudo em tempos de confinamento, pelo tamanho das casas em que as pessoas vivem.

A presidente da câmara, Anne Hidalgo, tinha pedido ao Governo francês para abrir os espaços verdes, mas sem sucesso. Numa publicação mostrou porque o defende: as pessoas continuam a ir até aos parques, mas ficam junto às vedações.

Sabendo que há centenas de milhares de pessoas a viverem em pequenos, até minúsculos, apartamentos, há cerca de dois meses, um jovem desafiou as leis e começou a forçar os cadeados que fecham os jardins e parques da capital francesa, para permitir que durante o dia as pessoas possam dar um passeio para espairecer ou deitar-se numa toalha a apanhar sol na relva.

"Não sou um ladrão, nunca roubei nada", assegura ao jornal "Le Parisien", que o apresenta como "José" para proteger a sua identidade. Durante o dia, é o sorriso dos que brincam nos espaços verdes, ainda encerrados devido à pandemia, que o faz continuar a infringir a lei.

Nem sempre é bem-sucedido. "É um jogo de gato e rato. De manhã, há guardas que fecham as portas", conta. O atrevimento pode valer-lhe uma pena de até cinco anos de prisão e uma multa de 75 mil euros.

Um risco que corre por considerar que a polícia "tem coisas melhores para fazer do que prender uma pessoa que anda a rebentar cadeados".

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