Fórum La Toja

Josep Borrell: "A Rússia é uma grande gasolineira, onde o proprietário tem a bomba nuclear"

Josep Borrell: "A Rússia é uma grande gasolineira, onde o proprietário tem a bomba nuclear"

Josep Borrell, alto representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, deixou este sábado, no fórum La Toja, na Galiza, uma mensagem aos europeus: a Europa tem de partir para uma nova era de poder bélico, agigantando-se face a ameaças como a da Rússia, a bem da sua sobrevivência.

Segundo Borrell, o apoio europeu, militar e económico à Ucrânia e as sanções à Rússia vão ser reforçados, assim como a estratégia para reduzir, se possível a zero, a dependência energética com o país agressor, que era de 40% e está, neste momento, em 10%.

Neste âmbito, o responsável apelou à população europeia que "reduza o consumo" de energia como forma de ajudar atingir o objetivo da libertação o mais depressa possível. E, considerou, de resto, que os referendos invocados por Putin para anexação de regiões ucranianas foram "uma pantomina", usando o adjetivo também utilizado hoje pelo presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez.

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Afirmou ainda que a Rússia já "perdeu a guerra em termos morais e políticos" e que o país definha como "potência construída sobre o petróleo e o gás", mas constitui uma ameaça ao "jardim europeu". "A economia russa é hoje do tamanho da da Itália, em termos globais, e em termos per capita três vezes inferior. Portanto, a Rússia é hoje um anão económico. É uma grande gasolineira, onde o proprietário tem a bomba nuclear e isso muda muita coisa", considerou.

Josep Borrell encerrou, este sábado, o evento anual de debate económico e político na ilha de A Toxa, nas Rías Baixas, com um discurso de apelo à unidade assente num novo modelo de União Europeia, face à nova realidade mundial. Reafirmou a posição de apoio inequívoco à Ucrânia com "mais do mesmo" e defendeu que as sanções estão a resultar.

"É como uma dieta de emagrecimento, os efeitos não se vêm no imediato", declarou, referindo que neste momento "a economia e a tecnologia russas estão completamente afetadas". "Noventa por cento das fábricas de automóveis estão paradas e 70 % dos aviões não podem voar por causa da importação, e os campos petroleiros estão a esgotar", exemplificou, acrescentando que, no que diz respeito ao gás russo, "restam 10% da dependência [da Europa]". "Todos podemos contribuir para nos libertarmos reduzindo o consumo. Não vai ser fácil para a Rússia encontrar um novo cliente para o gás", asseverou.

Quanto às "consequências geopolíticas da guerra" na Ucrânia, Josep Borrell entende que "o mundo pede mais Europa" e que "este é o momento de despertar", porque "a interdependência dos países europeus até agora assente no comércio e no direito não é suficiente para garantir a paz".

"A guerra mudou-nos e vai-nos fazer mudar mais, porque nos vai fazer tomar consciência que vivemos num mundo perigoso e que os europeus construíram um jardim rodeado de selva. E, se não queremos que a selva invada o nosso jardim, não bastará levantar muros de proteção. Temos de nos comprometer muito mais com a selva", afirmou, adiantando que "dispor de instrumentos militares não é um capricho, nem algo que há que reduzir à mínima expressão, mas que é necessário para a sobrevivência".

"Para as relações comerciais fazem falta dois, mas para fazer a guerra basta um. E este 'um' está disposto a fazê-la, fez e vai continuar a fazê-la", sublinhou, assumindo que "esta guerra tem de acabar bem para se poder construir a paz". E isso passa pela Ucrânia "defender e recuperar a sua integridade territorial, e a Rússia "pagar pelos efeitos da destruição e reconhecer, em termos políticos, a sua culpa moral".

"Vai ser muito difícil, mas não podemos pedir menos. Não podemos fraquejar, porque o que está em jogo não é apenas a integridade da Ucrânia é ao fim de contas o nosso modelo de vida", concluiu, debaixo de aplausos de pé.


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