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Jovens espalham "cartas de despedida" pelas ruas de Hong Kong

Jovens espalham "cartas de despedida" pelas ruas de Hong Kong

Uma reportagem do "The New York Times" revela a prática de jovens de Hong Kong, envolvidos nos protestos das últimas semanas, de deixar cartas de despedida a amigos e familiares. Alguns dos lugares onde deixam o "correio" são inusitados.

Têm sido semanas intensas nas ruas de Hong Kong. Há quatro meses que milhares de pessoas protestam contra a ingerência política da China na região autónoma e a consequente fragilidade dos direitos civis e da liberdade dos cidadãos. A primeira medida contestada prendeu-se com a lei da extradição: a possibilidade de alguns indivíduos que cometeram crimes em Hong Kong serem extraditados para a China. Uma das consequências imediatas para os criminosos seria a diminuição das penas. No entanto, a chefe de governo Carrie Lam já anunciou a anulação desta lei.

Mas Hong Kong nunca mais foi a mesma região. Os protestos continuam nas ruas e os jovens, a faixa etária mais presente, estão conscientes do perigo que correm, especialmente contra a polícia. As "últimas cartas" ou "wai shu" (o nome dado a esta iniciativa) tornaram-se uma prática recorrente: são palavras de despedida para familiares e amigos, para o caso de os manifestantes serem detidos, alvejados ou mortos pela polícia.

No início do mês de outubro, um adolescente de 18 anos foi alvejado pelas autoridades após ter atingido um polícia com um objeto de metal. O jovem foi acusado de agressão a agentes da autoridades. Tsang Chi-kin foi submetido a cirurgia e está estável. O Departamento de Segurança do Governo de Hong Kong informou há algumas semanas que um terço dos manifestantes dos detidos tem menos de 18 anos.

"Durante um protesto, um polícia sem farda disparou uma bala à minha frente", contou um jovem ao "The New York Times". Por essa razão, as cartas se revelaram tão necessárias. Além da carta original, os jovens levam várias cópias do documento nas mochilas ou carteiras para espalharem pelas ruas da região. Outros manifestantes mantêm-nas em casa nas gavetas de móveis ou debaixo de colchões.

As cartas são uma espécie de crónica sobre o que lhes que terá acontecido, mas tal como o nome indica, são também uma despedida e um vislumbre do que estão a sentir durante o protesto. "Eu preocupo-me com o facto de poder morrer e não te ver mais", escreve uma filha ao pai. "Eu estaria a mentir-te se te dissesse que não tenho medo. Mas claro, nós não podemos desistir", escreve outro jovem manifestante.

A violência dos protestos de Hong Kong tem-se intensificado. Os atos de vandalismo têm aumentado por parte dos manifestantes, tal como as agressões a ativistas pró-democracia.

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