Espanha

Juan Carlos sob nova investigação por branqueamento de capitais

Juan Carlos sob nova investigação por branqueamento de capitais

O Ministério Público espanhol tem em curso uma terceira investigação contra Juan Carlos, o rei emérito de Espanha, relacionada com lavagem de dinheiro, anunciaram esta sexta-feira a procuradora-geral do Estado, Dolores Delgado, e o procurador-chefe para a Anticorrupção, Alejandro Luzón.

A nova linha de investigação foi iniciada com base em indícios constantes no relatório do Serviço Executivo da Comissão para a Prevenção de Branqueamento de Capitais e Infrações Monetárias (Sepblac).

O processo será conduzido diretamente pela Procuradoria do Supremo Tribunal, onde decorrem já as outras duas investigações a Juan Carlos, sobre a alegada comissão que recebeu relativa à construção do comboio de alta velocidade em Meca (obra concedida em 2011 a empresas espanholas) e as contas em paraísos fiscais.

O monarca terá recebido através de uma conta na Suíça, em nome da antiga amante Corinna Larsen, 65 milhões de euros, que as autoridades espanholas e suíças suspeitam ser provenientes da monarquia saudita (2008).

O procurador para a Anticorrupção explicou, agora, que o novo inquérito ainda está numa fase embrionária, sendo prematuro determinar se os indícios apontam para infração fiscal ou crime. O valor recebido e não declarado tem de ser superior a 278 mil euros para implicar infração fiscal, segundo cálculos dos técnicos do Ministério das Finanças, explica o diário "El País".

PUB

O procurador também não adiantou se a nova investigação diz apenas respeito ao rei emérito espanhol ou se envolve outras pessoas do seu círculo.

A nova investigação foi iniciada já no final de 2019, mas só agora foi oficialmente confirmada pela Procuradoria-Geral em conferência de imprensa, três dias depois do "Eldiario.es" ter noticiado que o Ministério Público estava a investigar os gastos de Juan Carlos e da sua esposa, a rainha Sofia, cobertos por "cartões de crédito opacos" pagos no exterior, através de contas em que nenhum deles era titular. O caso remonta a 2016, 2017 e 2018, já depois de o rei ter abdicado do trono espanhol, o que desta vez o torna imputável.

Diversos familiares dos monarcas são também suspeitos de usufruírem dos cartões de crédito, excluindo-se os atuais reis Felipe de Borbón y Letizia Ortiz, segundo o "Eldiario.es".

A justiça espanhola emitiu cartas rogatórias a diferentes países para rastrear a origem desses fundos. Segundo fontes judiciais, a investigação está centrada em contas bancárias no nome de um empresário mexicano e de um oficial do Exército da Força Aérea espanhola.

Segundo o "Eldiario.es", parte das verbas desses cartões, para cobrir gastos pessoais da família real, provêm do milionário mexicano Allen de Jesús Sanginés-Krause, o principal acionista de vários fundos imobiliários. Para isso, Juan Carlos terá contado com a ajuda do tenente coronel Nicolás Murga Mendoza, que terá servido como testa-de-ferro entre Sanginés-Krause e a família real, aponta o jornal digital.

O rei emérito exilou-se nos Emirados Árabes Unidos em agosto passado, quando a justiça espanhola e a suíça passavam as suas contas bancárias a pente fino.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG