Espanha

Juan Carlos terá enriquecido como "comissionista internacional"

Juan Carlos terá enriquecido como "comissionista internacional"

O Ministério das Finanças espanhol acredita firmemente que a origem da grande fortuna oculta por Juan Carlos I em diversas contas bancárias no estrangeiro durante os últimos anos foi crescendo graças à cobrança de comissões e outras prestações similares pelo seu papel como intermediário em negócios empresariais internacionais.

O rei emérito poderá ter cometido até quatro delitos: branqueamento de capitais, fuga ao Fisco, suborno e tráfico de influências. Para obter mais dados, o Supremo Tribunal espanhol enviou, em fevereiro, ao Tribunal suíço uma solicitação da informação de todas as contas bancárias no país em nome da Fundação Zagatka, entre 2016 e 2019.

Esta entidade, propriedade do primo do monarca Álvaro de Orleans, está a ser investigada por ocultação, transformação e posse de fundos, depois de ter sufragado, durante vários anos, os gastos pessoais de Juan Carlos I através de depósitos abertos em bancos suíços.

Além disso, o Fisco também solicitou à Casa Real dois relatórios sobre os pagamentos realizados a Juan Carlos I desde o ano em que o monarca abdicou, em junho de 2014, até 2018.

O Supremo Tribunal está a investigar a conta bancária onde o rei emérito recebia, todos os anos, quase 200 mil euros procedentes dos fundos públicos do Estado.

Em causa está a dúvida sobre se os pagamentos estabelecidos pelo Orçamento do Estado coincidem com as transferências executadas e recebidas pelo próprio monarca durante esse período, até que o rei Felipe decidiu retirar-lhe a dotação anual em 2020, após o escândalo que ligava ao atual monarca às contas do seu pai no estrangeiro.

A fiscalização às contas de Juan Carlos I teve início depois de o monarca, há um ano exilado nos Emirados Árabes Unidos, no Golfo Pérsico, ter apresentado duas regularizações voluntárias ao Tesouro espanhol. Na primeira, pagou mais de 678 mil euros pelos presentes em dinheiro recebidos do empresário mexicano Allen Sangines-Krause durante os exercícios fiscais entre 2016 e 2019. No segundo, pagou 4,4 milhões pelas centenas de voos privados pagos pela Fundação Zagatka de Álvaro de Orleans.

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Presunção de inocência

O advogado do rei emérito, Javier Sánchez-Junco, denunciou sexta-feira que foi violada a presunção de inocência de Juan Carlos I devido às "graves afirmações" que o Ministério Público fez no pedido de informação à Suíça sobre a origem da fortuna do ex-chefe de Estado.

"Sem justificação"

Para o advogado do monarca, a comunicação às autoridades suíças contém "graves declarações e denúncias de condutas" feitas "sem qualquer apoio e sem a menor justificação, sendo contrariadas por outros factos sobre os quais nada se diz".

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