Protestos

Guaidó declara-se presidente da Venezuela e alguns países reconhecem legitimidade

Guaidó declara-se presidente da Venezuela e alguns países reconhecem legitimidade

Perante milhares de manifestantes, o atual presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, autoproclamou-se, esta quarta-feira, presidente interino do país.

"Levantemos a mão, hoje 23 de janeiro, na minha condição de presidente da Assembleia Nacional e perante Deus todo-poderoso e a Constituição, juro assumir as competências do executivo nacional, como Presidente Encarregado da Venezuela, para conseguir o fim da usurpação (da Presidência da República), um governo de transição e eleições livres", disse Guaidó.

Juan Guaidó começou por fazer referência a vários artigos da Carta Magna venezuelana e fez os manifestantes jurarem comprometer-se em "restabelecer a Constituição da Venezuela". "Hoje, dou um passo com vocês, entendo que estamos numa ditadura", disse vincando saber que a sua autoproclamação "terá consequências".

Por outro lado, dirigiu-se ao Presidente Nicolás Maduro, sublinhando que "aos que estão a usurpar o poder, digo, com o grito de toda a Venezuela: vamos insistir até que regresse a água e o gás, até que os nossos filhos regressem, até conseguir a liberdade".

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Segundo Guan Guaidó "não se trata de fazer nada paralelo", afirmando que tem "o apoio da gente nas ruas".

Nicolás Maduro recusou ceder o poder e afirmou que os EUA e Donald Trump são os responsáveis pelo "golpe de Estado" desta quarta-feira. Os EUA deixaram em aberto a possibilidade de usar "todos os meios" para fazer com que Maduro saia do poder.

EUA reconhecem Guaidó como presidente e alguns vizinhos seguem as pisadas

Depois dos Estados Unidos, também o Brasil, o Peru, o Equador e a Costa Rica reconheceram Guaidó como presidente interino da Venezuela, avança a agência Efe. O Canadá deverá tomar a mesma posição nas próximas horas.

Donald Trump foi o primeiro. Reconheceu a legitimidade de Juan Guaidó, numa mensagem divulgada na conta de Twitter da Casa Branca, tal como o fez a Organização dos Estado Americanos, através do seu presidente.

"Hoje, reconheço oficialmente o presidente da Assembleia nacional venezuelana, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela", indicou Trump num comunicado.

Pelo menos quatro pessoas morreram nos protestos da última noite contra o Presidente Nicolás Maduro na Venezuela, um dos quais em Caracas e três no Estado venezuelano de Bolívar. Mais de quatro dezenas de pessoas foram já detidas. As manifestações e a autoproclamação de Guaidó acontecem no dia em que se assinala o aniversário do derrube da ditadura nacionalista do general Marcos Pérez Jiménez, em 1958, uma das mais repressivas da América Latina.

Portugal prudente

O chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, sublinhou em Madrid que a sua "prioridade" é garantir a "segurança física" dos portugueses que vivem na Venezuela, esperando que as manifestações neste país sejam "pacíficas".

"Respeito a decisão dos outros países [...], mas a segurança física dos portugueses que vivem na Venezuela é a prioridade número um" da diplomacia portuguesa, disse Augusto Santos Silva, numa conferência de imprensa acompanhado pelo chefe da diplomacia espanhola, Josep Borrell.

Santos Silva explicou que Lisboa tem "um elemento nacional" específico quando se trata do relacionamento com a Venezuela, que é o facto de haver cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes nesse país, sendo essa a sua "primeira preocupação", insistiu.

"Peço a todas as partes que se manifestam muito legitimamente, como é próprio das democracias, que o façam pacificamente sem pôr em causa a segurança dos bens e das pessoas", afirmou o ministro português.

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