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Juncker contradiz Trump sobre negociações comerciais

Juncker contradiz Trump sobre negociações comerciais

A agricultura "está fora" das discussões comerciais entre a União Europeia e os EUA, afirmou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, contradizendo o líder norte-americano, Donald Trump.

O presidente norte-americano tinha afirmado na quinta-feira, perante agricultores norte-americanos, no dia seguinte ao anúncio de uma trégua no conflito comercial com os europeus: "Acabámos de abrir a Europa para vocês, agricultores".

Mas esta sexta-feira, Juncker contradisse-o: "A agricultura está fora (do acordo), senão o acordo teria fracassado", declarou à estação televisiva pública alemã ARD.

"Se se ler a declaração comum (...), ver-se-á que não há menção à agricultura enquanto tal. Ver-se-á que há uma menção a agricultores e uma menção à soja que fazem parte das discussões que se vão seguir", já tinha afirmado uma porta-voz da Comissão Europeia, Mina Andreeva, durante uma conferência de imprensa em Bruxelas.

"O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, foi muito claro (...). Não negociamos os produtos agrícolas. Estão fora do campo de discussão", acrescentou.

Na quarta-feira, Trump e Juncker concluíram uma espécie de armistício comercial: enquanto a UE e os EUA realizam as negociações, Trump retira as suas ameaças de aplicar taxas alfandegárias sobre os automóveis exportados pela Europa para os EUA. Em contrapartida, Juncker tinha prometido o aumento das importações europeias de soja e gás liquefeito dos EUA.

Para Trump, era particularmente importante obter garantias dos europeus sobre a soja, porque os agricultores norte-americanos, apoiantes tradicionais dos republicanos, perderam mercados, no seguimento do conflito comercial aberto por Trump com a China.

"Pertence aos atores do mercado concluir um acordo para que aumentem as exportações de soja (dos EUA) para a Europa, mas não a soja transgénica, isso não faz parte do acordo", declarou Juncker à ARD.

O ministro da Economia francês, Bruno Le Maire, tinha reclamado na quinta-feira, no dia seguinte à reunião entre Trump e Juncker, "clarificações".

Le Maire tinha exigido mesmo que a agricultura fique fora das negociações, garantindo que "a Europa não vai transigir com as normas", especificando: "Temos normas sanitárias, alimentares e ambientais elevadas e regras de produção às quais estamos vinculados, porque garantem a proteção e a segurança dos nossos consumidores".

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