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Justiça alemã iniciou processo contra o ex-presidente

Justiça alemã iniciou processo contra o ex-presidente

A procuradoria de Hanover iniciou, este sábado, oficialmente o processo judicial contra o ex-presidente alemão Christian Wulff, que renunciou após vários escândalos de corrupção.

"Com o final da imunidade começa automaticamente o processo preliminar. Sobre os próximos passos do processo não vamos dizer mais nada, por agora", disse o porta-voz da procuradoria localizada no noroeste de Hanover, Hans-Jürgen Lendeckel.

O porta-voz lembrou que um chefe de Estado na Alemanha está protegido contra qualquer processo criminal enquanto está no cargo, da mesma forma que deputados são protegidos pela imunidade parlamentar.

O pedido feito na quinta-feira pela procuradoria de Hanover ao Bundestag (Parlamento federal) para que este retirasse a imunidade de Christian Wulff por causa das investigações, precipitou a demissão do presidente democrata-cristão que é correligionário da chanceler alemã, Angela Merkel, e que foi eleito para o cargo há ano e meio.

A procuradoria está a estudar se houve algum delito cometido nas férias do político em Sylt, no norte da Alemanha, pagas pelo empresário David Groenewold a Wulff e à mulher e se o produtor e cineasta obteve algum favor em troca.

Em 2007, Groenewold e Wulff passaram férias juntos na ilha alemã de Sylt.

As férias aconteceram um ano depois de o governo da Baixa Saxónia, presidido na altura por Wulff, ter aprovado a concessão de um aval para um empréstimo de quatro milhões de euros a uma empresa de Groenewold, que não chegou a realizar-se.

A crescente polémica devido a supostos casos de favorecimento contra Wulff rebentou no dia 13 de Dezembro, quando o jornal Bild escreveu que Wulff tinha contraído junto de empresários amigos um empréstimo privado, no valor de meio milhão de euros, em condições muito vantajosas, com o qual comprou uma casa.

Angela Merkel já iniciou contactos com os partidos da coligação governamental para propor o mais rapidamente possível um candidato de consenso à presidência do país.