Holocausto

Justiça israelita impede leilão de carimbos para marcar prisioneiros de Auschwitz

Justiça israelita impede leilão de carimbos para marcar prisioneiros de Auschwitz

Um tribunal israelita suspendeu a venda de placas metálicas utilizadas para tatuar os prisioneiros do campo de Auschwitz, durante a II Guerra Mundial, após um apelo dos sobreviventes do Holocausto. Estas placas, que tinham agulhas, serviam para marcar os prisioneiros com um número de identificação à chegada ao campo.

Meir Tzolman, de Jerusalém, tinha 14 carimbos e um folheto de instruções do fabricante, Aesculap. Por as considerar "o objeto mais chocante do Holocausto", Tzolman admitiu que as queria nas "mãos certas" e decidiu leiloar o lote.

Esta decisão não foi bem recebida pelos sobreviventes do Holocausto. O chefe do memorial do Holocausto de Israel chamou à venda "moralmente inaceitável" e David Fohrer, advogado das Organizações do Centro dos Sobreviventes do Holocausto em Israel, defendeu que "um item tão mau não pode ter um proprietário. A sua venda é ilegal e vai contra a doutrina da decência pública", admitiu à "BBC".

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De acordo com a casa de leilões, o conjunto para venda é um dos três únicos que existem. Um está no Museu Médico Militar em São Petersburgo, na Rússia, e o outro no Museu de Auschwitz, na Polónia.

Uma providência cautelar imposta pelas Organizações do Centro dos Sobreviventes do Holocausto em Israel impediu a licitação do artigo, que já tinha atingido cerca de 2900 euros. A audiência judicial que vai decidir se o leilão deve ou não prosseguir vai acontecer a 16 de novembro.

"Este é um item que não é propriedade privada, mas sim um monumento horrível pertencente a todo o público, e que serve como prova dos crimes dos nazis e dos seus ajudantes", acrescentou ainda David Fohrer.

Colette Avital, presidente do grupo dos sobreviventes, disse à AFP que os carimbos foram utilizados "para transformar pessoas de humanos em números" e que deviam pertencer a um museu. As tatuagens eram permanentes e tornaram-se um dos símbolos do terror do Holocausto nazi, no qual cerca de seis milhões de judeus foram assassinados pelo regime de Hitler.

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