EUA

Justiça mantém pena capital para Troy Davis

Justiça mantém pena capital para Troy Davis

A justiça norte-americana recusou clemência para Troy Davis, um negro condenado à morte em 1991 pelo alegado assassínio de um polícia branco e que se tornou num símbolo da luta contra a pena de morte.

A execução de Davis por injecção letal está prevista para quarta-feira na prisão de Jackson, no estado da Geórgia.

Após duas décadas de recursos, a última instância de apelo rejeitou, esta terça-feira, a comutação da pena capital em prisão perpétua, apesar de sete testemunhas da acusação terem entretanto alterado os seus depoimentos e existirem fortes suspeitas de que um dos homens que o acusou seja o verdadeiro homicida.

A União Europeia (UE), a Amnistia Internacional (AI), o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, e o próprio papa Bento XVI pediam ao estado da Geórgia para comutar a sentença, fornecendo relevância internacional ao caso.

"É inconcebível que o comité tenha recusado" que seja impedida a execução de Troy Davis, referiu a AI em comunicado, antes de qualificar a decisão como "uma afronta à justiça".

"A Amnistia Internacional exorta o comité a reconsiderar imediatamente a sua decisão", acrescenta a organização de defesa dos direitos humanos.

A poderosa organização norte-americana de defesa dos direitos civis ACLU também sublinhou que a deliberação do comité ilustra "a extrema injustiça que caracteriza o nosso sistema de pena de morte".

Por sua vez, a mãe de Mark MacPhail, o polícia morto em 1989 na cidade de Savannah, congratulou-se pela decisão. "Era o que pretendíamos", disse Anneliese MacPhail à cadeia de televisão CNN. "Vai ser feita justiça".

Com 42 anos, 20 dos quais no corredor da morte, Troy Davis é considerado pelos seus apoiantes como o protótipo do negro injustamente condenado à pena capital.

Quando os acontecimentos ocorreram, nove testemunhas acusaram Troy da autoria dos disparos, mas a arma do crime nunca foi descoberta, nem detectadas impressões digitais ou de ADN, para além dos sete testemunhos que entretanto foram alterados, com alguns a apontarem outro responsável pelos disparos.

O estado da Geórgia procedeu a 51 execuções desde a reintrodução da pena de morte nos Estados Unidos em 1976, e desde então apenas foram concedidos sete perdões pelo comité judicial.