Oposição

Justiça russa examina queixas de Navalny sobre condições prisionais

Justiça russa examina queixas de Navalny sobre condições prisionais

Um tribunal russo examina esta quarta-feira três queixas do opositor do regime Alexei Navalny contra a administração penitenciária, na sequência de uma audiência por videoconferência em que apareceu em "boa forma" um mês depois de uma greve de fome.

Detido em janeiro, no dia em que regressava da Alemanha onde recebeu tratamento médico na sequência do envenenamento de que foi alvo, segundo acusa, por ordens do Kremlin, Navalny foi condenado a dois anos e meio de prisão por um caso de fraude que remonta a 2014.

Navalny, de 44 anos, cumpre a sentença numa prisão da região de Vladimir, a cerca de 100 quilómetros de Moscovo, tendo-se submetido a uma greve de fome que se prolongou durante 24 dias em protesto contra as condições da detenção.

O estabelecimento prisional onde se encontra o dirigente oposicionista é apontado como um dos mais duros da Rússia.

As queixas examinadas esta quarta-feira referem-se à proibição por parte da administração penitenciária de Vladimir, ao não autorizar livros enviados por pessoas próximas de Navalny, nomeadamente o Corão que o oposicionista diz querer estudar.

Navalny queixa-se também da censura que os serviços da prisão fazem aos jornais que recebe assim como de fazer parte da lista de pessoas que querem evadir-se.

"Trata-se de uma situação bizarra", disse Navalny, vestido com um casaco escuro e "sorridente", durante a intervenção por meios remotos perante o tribunal de Petouchki, na região de Vladimir.

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"Gostava que me dessem os livros que me são enviados", insistiu.

Segundo o jornalista da France Presse que assistiu à sessão, Navalny, habituado a julgamentos, não adotou uma postura "combativa" e falou de forma calma.

Navalny afirmou que só recebeu o Corão depois de ter sido transferido para o hospital-prisão em abril, onde permaneceu durante a greve de fome.

O prisioneiro afirmou ainda que vários artigos dos jornais que lhe foram enviados foram "cortados à tesoura".

"Não sou contra que as minhas cartas sejam lidas, mas por que motivo cortam os artigos dos jornais?" questionou Navalny.

O oposicionista também não concorda com a sua inclusão na lista de pessoas que pretendem evadir-se da prisão e acusou os serviços penitenciários de o acordarem propositadamente várias vezes durante noite, num processo que qualifica de "tortura através da privação do sono".

"Não existem dados objetivos que confirmem que estou a preparar uma evasão. Trata-se de uma decisão absurda", disse referindo-se à lista das autoridades.

Depois de ter sido preso, Moscovo desmantelou o movimento de oposição que Navalny fundou tendo vários quadros do organismo fugido para o estrangeiro.

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