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Kadafi diz que intervenção americana na Líbia acabaria em banho de sangue

Kadafi diz que intervenção americana na Líbia acabaria em banho de sangue

Kadafi fala à televisão líbia, diz que o poder é do povo, desde 1977, e insiste na tese de que é a al-Qaeda que está na origem dos confrontos. No terreno, forças pró e contra-Kadafi lutam por ganhar posição no Leste do país.

Muammar Kadafi falou ao povo, pela televisão estatal líbia, enquanto no terreno se intensificam os combates pelo controlo do Leste da Líbia. Na declaração, disse que se os EUA ou a NATO decidirem intervir na Líbia, a situação acabará "num banho de sangue" e "milhares de líbios morrerão".

Em declarações à televisão estatal líbia, Kadafi disse que "o petróleo do país está seguro" e ofereceu-se para dialogar com a al-Qaeda, que responsabiliza pela instabilidade na Líbia.

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A discursar a partir de Tripoli, Kadafi diz que "a Líbia é governada pelo povo" e que "não há espaço para um presidente" no país.

O líder líbio diz que "não é presidente" para poder demitir-se e não tem "um parlamento para dissolver", insistindo que depois da revolução de 1969, que "deu o poder ao povo", se sentou na sua tenda e felicitou o povo líbio pela criação dos comités, em 1977, que, entende, têm o poder no país.

Segundo a BBC, diz que "a Líbia vai meter dois dedos nos olhos de quem desafiar" o país. Uma afirmação cujo destinatário não se percebe claramente, visto que, adianta a agência Reuters, Kadafi diz que não há problemas internos no país e culpa os mass média internacionais pela agitação.

As críticas não são apenas para os órgãos de comunicação ocidentais. "As cadeias de televisão árabes são parciais, não mostram as manifestações a favor, só as contra", argumenta Kadafi em discurso proferido na TV estatal líbia.

As palavras de Kadafi são atravessadas por uma conspiração global. "Há uma tentativa estrangeira de humilhar a Líbia", disse, acusando a "a Oposição e a al-Qaeda de agir contra" o país, diz a televisão árabe Al-Arabya, que retransmite o discurso.

O líder líbio responsabiliza "células adormecidas da al-Qaeda", que "se movimentaram gradualmente do Iraque e do Afeganistão para Líbia", pela instabilidade que se sente no país.

Segundo Muammar Kadafi, a al-Qaeda entrou pelas cidades de Baydha e Benghazi. "Não havia protestos nestas cidades, mas forças externas entraram e começaram a matar pessoa a tiro ao estilo da al-Qaeda", justificou.

Asseverando que a maioria dos mortos nos confrontos "são soldados líbios", Kadafi diz que o número de vítimas "é exagerado" e que não deve passar dos 150, em todo o país, o líder líbio pediu um inquérito da ONU para averiguar o que se passou na Líbia.

Dois mortos em combates em Brega

Pelo menos duas pessoas morreram, quarta-feira, em Brega (leste da Líbia), cidade que foi palco de uma contra-ofensiva das forças de Muammar Kadafi antes de ser recuperada pelas forças anti-regime, disseram testemunhas. Forças leais a Kadafi dizem que tomaram a cidade e que a controlam.

As duas pessoas morreram nos combates desta manhã, disse à agência noticiosa francesa AFP um membro das forças anti-regime em Ajdabiya e um engenheiro de uma companhia petrolífera de Brega.

"As tropas pró-Kadafi chegaram ao amanhecer a Brega e tomaram refinarias durante algumas horas", indicou uma outra testemunha, contabilista de uma empresa petrolífera.

As forças anti-regime afirmaram já ter retomado o controlo de Brega.

Situada a 200 quilómetros a oeste de Benghazi, epicentro da contestação no Leste do país, Brega «está já completamente sob o controlo da revolução. Várias pessoas sairam de Ajdabiya para ajudar», afirmou um general da polícia.

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