Rússia

Kremlin não vê melhoria na relação com EUA após contactos

Kremlin não vê melhoria na relação com EUA após contactos

A Rússia afirmou que o encontro entre o líder russo Vladimir Putin e o chefe da diplomacia norte-americana, Rex Tillerson, não produziu ainda qualquer mudança positiva nas relações entre Moscovo e Washington.

O porta-voz do Kremlin (sede da presidência russa), Dmitry Peskov, disse que o presidente russo mostrou ao secretário de Estado norte-americano, durante um encontro realizado na quarta-feira, a sua visão das causas do atual "impasse" nos laços bilaterais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na quarta-feira que a relação Washington/Moscovo pode ter atingido o "ponto mais baixo de sempre". Um tom que foi mantido por Rex Tillerson após um longo dia de conversações com Moscovo, no âmbito da sua primeira visita oficial à Rússia.

Também na quarta-feira, em declarações a um canal de televisão, Putin admitiu que as relações entre a Rússia e os Estados Unidos deterioraram-se com a chegada de Trump à Casa Branca.

Questionado pelo canal Mir 24 sobre a qualidade da relação Washington/Moscovo, Putin foi direto: "Pode dizer-se que o nível de confiança a nível de trabalho, especialmente a nível militar, não melhorou. Pelo contrário, deteriorou-se".

O porta-voz do Kremlin afirmou esta quinta-feira que o encontro entre Putin e Tillerson, que durou quase duas horas, reflete "a compreensão da necessidade de manter um diálogo para procurar soluções".

Dmitry Peskov acrescentou que nos contactos de quarta-feira, que também envolveram o ministro dos Negócios Estrangeiros russo (Serguei Lavrov), não houve qualquer conversa sobre um possível encontro entre Trump e Putin.

Questionado se o encontro de quarta-feira marcou qualquer mudança positiva, Peskov disse apenas: "Muito cedo ainda".

O encontro entre Putin e Tillerson surge dias depois de um ataque com armas químicas (ocorrido a 4 de abril) em Khan Sheikhun, na província síria de Idlib (noroeste), que foi atribuído ao regime do presidente sírio e aliado tradicional dos russos, Bashar al-Assad.

Em reação, os Estados Unidos ordenaram, a 6 de abril, um ataque com mísseis Tomahawk contra uma base aérea do exército sírio associada, segundo a administração norte-americana, ao ataque químico que matou pelo menos 87 pessoas, incluindo 31 crianças.