Isabel II

Lágrimas e flores não inibiram eco de protestos

Lágrimas e flores não inibiram eco de protestos

Cortejo fúnebre desde Balmoral até Edimburgo prolongou-se por seis horas. Entre opiniões dissonantes, neto de Winston Churchill tenta acalmar ânimos

Coberto pelo padrão real do Reino Unido, com uma coroa de flores brancas pousada, o caixão de carvalho de Isabel II saiu de Balmoral e percorreu a costa Este da Escócia numa jornada de 280 quilómetros, passando por alguns dos lugares mais queridos pela monarca. Mas os milhares de tributos e homenagens feitos pelas multidões que se acumularam, entre lágrimas e flores, nas ruas ao longo das seis horas de viagem para se despedirem de Isabel II não foram unânimes. Ouviram-se opiniões dissonantes, levantando a dúvida sobre se Carlos III será ou não capaz de apaziguar os ânimos.

Em Aberdeen, enquanto várias pessoas gritavam vivas ao novo rei, houve quem fizesse soar o seu descontentamento. A BBC relata apupos na cidade escocesa, no momento em que era lido o documento que oficializou a subida de Carlos ao trono. Em Cardiff, um grupo de antimonárquicos protestou. Num dos cartazes, podia ler-se: "Não é o nosso rei. É a subjugação colonial do povo galês".

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O cortejo terminou pelas 16.20 horas, altura em que corpo da monarca chegou ao Palácio de Holyroodhouse, em Edimburgo. Na segunda-feira à tarde, o caixão da rainha seguirá em procissão até a Catedral de St Giles, acompanhado pelo rei e membros da família real. Só amanhã voará para Londres, onde ficará no Palácio de Buckingham.

Dúvidas crescem entre jovens

É já sabido que a posição dos jovens britânicos entre os 18 e os 24 anos em relação à monarquia tem vindo a alterar-se desde 2019. De acordo com o instituto YouGov, em maio do ano passado - altura em que Harry e Meghan deram uma polémica entrevista a Oprah Winfrey -, 41% diziam que a Grã-Bretanha deveria ter um chefe de Estado eleito, enquanto 31% apoiavam a monarquia. Também os mais velhos, entre os 50 e os 64 anos, são a favor.

Aliás, entre a população, num cenário geral, três em cada cinco britânicos reafirmavam, nessa mesma altura, o seu apoio à soberania. Mas no que diz respeito ao sucessor de Isabel II, em maio passado, as opiniões dividiam-se entre pai e filho: 37% dos britânicos diziam que deveria ser William a subir ao cargo, enquanto 34% confiavam o trono a Carlos III e 17% afirmavam que não deveria ser dado lugar a mais nenhum monarca depois da rainha.

Ao contrário da atitude da mãe, Carlos III, enquanto príncipe de Gales, foi conhecido por partilhar as suas opiniões e pontos de vista, algumas das vezes numa espécie de tentativa de influenciar o país politicamente. E esse contexto abriria, inevitavelmente, uma janela de instabilidade entre os britânicos em relação à forma como olham para a monarquia.

Por isso, o neto de Winston Churchill - cujo avô foi o primeiro chefe de Governo com quem a rainha trabalhou - e amigo de longa data de Carlos III, tentou já acalmar os ânimos em relação à futura postura do rei. À BBC, Sir Nicholas Soames disse que, tal como foi referido pelo rei no dia da sua proclamação, "a sua vida mudará, e os seus pontos de vista e a maneira como se comporta observarão, é claro, os princípios constitucionais".

Carlos III está, sem sombra de dúvida, a cumprir o protocolo à risca. Enquanto decorria o cortejo fúnebre, o rei reuniu-se com a secretária-geral da Commonwealth, Patricia Scotland, no Palácio de Buckingham, em Londres. Recebeu também, na Sala de Proa, representantes dos 14 países que ainda reconhecem o rei como chefe de Estado.

O rei viajará esta segunda-feira para a Escócia para um encontro com líderes políticos. Além da rainha consorte, a primeira-ministra Liz Truss vai acompanhar Carlos III.

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