Justiça

Libertação do assassino do juiz Giovanni Falcone causa revolta em Itália

Libertação do assassino do juiz Giovanni Falcone causa revolta em Itália

Os italianos ficaram, esta terça-feira, estupefactos com a libertação antecipada de Giovanni Brusca, chefe da máfia siciliana condenado pelo assassínio do juiz Giovanni Falcone, em 1992, acontecimento este que foi noticiado na primeira página de todos os jornais italianos.

Giovanni Brusca foi libertado na segunda-feira, aos 64 anos, por bom comportamento da prisão Rebíbia, em Roma, após 25 anos preso, passados a cooperar com as autoridades.

Brusca, no entanto, permanecerá em regime de vigilância durante quatro anos.

"É uma triste notícia em termos humanos, mas é a lei, uma lei que o meu irmão queria e que deve ser respeitada", reagiu Maria Falcone, irmã do juiz, citada pelo jornal italiano La Repubblica.

Giovanni Brusca ativou um controlo remoto que detonou uma bomba com 400 quilos de explosivos, que estavam enterrados numa estrada perto de Palermo, matando Giovanni Falcone, a sua mulher e três guarda-costas.

Tina Montinaro, a mulher do então chefe da operação de escolta do juiz, que também morreu no ataque, confessou estar "indignada" com a libertação.

"O Estado está contra nós, 29 anos depois e ainda não sabemos a verdade(...). O homem que destruiu a minha família foi libertado", acrescentou Montinaro.

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Brusca, um dos colaboradores mais próximos de Totò Riina, chefe da Cosa Nostra, a máfia siciliana, também tinha raptado Giuseppe Di Matteo, um rapaz de 12 anos, em 1993.

Após dois anos preso em condições indescritíveis, o rapaz foi estrangulado e dissolvido em ácido, crime praticado como vingança contra o pai, Santino Di Matteo, um ex-membro da máfia que concordou em colaborar com a justiça.

Segundo a polícia, tratou-se de "um dos crimes mais hediondos da história da Cosa Nostra".

"Não encontro palavras para expressar a minha amargura", confessou Santino Di Matteo, ao jornal italiano Il Corriere della Sera.

"A verdade é que todos os guardas e torturadores do meu filho estão livres. Todos em casa. E agora o chefe que decidiu e organizou tudo vai também para casa", denunciou Santino.

A libertação de Brusca foi também criticada por muitos líderes políticos, com o líder do Partido Democrático (PD), Enrico Letta, a descrever a libertação como "um murro no estômago (que) deixa alguém sem palavras, perguntando-se como é possível".

"É impossível acreditar que um criminoso como Brusca possa merecer qualquer favor. A sua libertação da prisão provoca-me arrepios na coluna", comentou o ex-presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani,

"Uma pessoa que cometeu estes atos, que dissolveu uma criança em ácido, que matou Falcone, é na minha opinião uma besta selvagem e não pode sair da prisão", reagiu o líder do partido de extrema-direita Liga Norte, Matteo Salvini.

O antigo procurador nacional anti-máfia e ex-Presidente do Senado, Pietro Grasso, por sua vez, não vê "nenhum escândalo" nisto.

"A indignação de muitos políticos que pouco compreendem sobre o código penal e a luta contra a máfia assusta-me", escreveu na sua página da rede social Facebook, defendendo que a redução de penas "para aqueles que ajudam o Estado" é necessária.

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