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Líder republicano diz que votará contra juíza negra indicada para Supremo dos EUA

Líder republicano diz que votará contra juíza negra indicada para Supremo dos EUA

O líder republicano no Senado norte-americano anunciou que votará contra Ketanji Brown Jackson, primeira mulher negra nomeada para o Supremo Tribunal de Justiça, dizendo que "não pode e não irá" apoiar um candidato inovador para uma nomeação vitalícia.

Embora a oposição do republicano Mitch McConnell não tenha sido inesperada e a confirmação de Ketanji ainda seja viável, a sua declaração, que surge apenas algumas horas após o Comité de Justiça do Senado encerrar quatro dias de audiências à juíza, provavelmente levará muitos colegas republicanos a seguir o seu exemplo.

Os democratas podem confirmar Ketanji Brown Jackson, a primeira mulher negra indicada para o mais alto tribunal do país, sem qualquer apoio do Partido Republicano no Senado, onde a vice-presidente do país, Kamala Harris, pode dar em eventual voto de desempate.

Durante as audiências, os republicanos interrogaram Ketanji Jackson sobre o seu histórico como juíza federal e questionaram-na sobre alegadas "sentenças suaves" em vários casos de pornografia infantil.

Contudo, especialistas jurídicos elogiaram a juíza neste último dia de audiências, com um grupo de advogados de alto escalão a dizer que a magistrada tem uma reputação "excelente", competência "excecional" e está bem qualificada para se sentar no Supremo dos EUA.

"Fora do comum, excelente, superior, soberbo", testemunhou Ann Claire Williams, presidente do comité da 'American Bar Association' que faz recomendações sobre juízes federais, acrescentando que "esses são os comentários de praticamente todos" os especialistas com quem falou sobre Ketanji Brown Jackson.

Ann Claire Williams disse que a Associação conversou com mais de 250 juízes e advogados sobre Ketanji.

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Os democratas esperam ganhar votos bipartidários para a histórica nomeação feita pelo Presidente dos EUA, Joe Biden, mas os republicanos retrataram Ketanji como uma pessoa suave com o crime.

Ketanji, apoiada pelos democratas, recusou essa narrativa do Partido Republicano em mais de 22 horas de interrogatório, explicando o processo de condenação em detalhe e dizendo-lhe que "nada poderia estar mais longe da verdade".

A audiência de quatro horas de hoje contou com não apenas com especialistas jurídicos, mas também com funcionários do Governo e grupos de direitos civis que apoiaram a juíza e defensores conservadores que se opuseram a ela.

O procurador-geral do Alabama, Steven Marshall, uma testemunha convidada pela minoria, ecoou as preocupações dos republicanos. Marshall disse que os apoiantes de Ketanji Jackson a citam como uma voz para os vulneráveis, mas "devemos estar interessados em explorar se o seu zelo é igualmente fervoroso por outra classe dos nossos mais vulneráveis: as vítimas de crimes violentos".

Os senadores do Partido Republicano questionaram agressivamente a magistrada sobre as sentenças que proferiu a infratores de pornografia infantil nos seus nove anos como juíza federal, a sua defesa em nome de suspeitos de terrorismo detidos na Baía de Guantánamo, os seus pensamentos sobre a teoria racial crítica e as suas opiniões religiosas.

O Comité da Justiça do Senado deverá votar a indicação de Ketanji Jackson até 04 de abril. Os democratas esperam realizar uma votação final de confirmação até meados de abril, quando o Senado entrará numa pausa de duas semanas.

Ketanji Jackson foi nomeada em fevereiro por Joe Biden, que prometeu durante a campanha eleitoral de 2020 que se ganhasse o sufrágio nomearia uma mulher afro-americana para o Supremo, que nunca teve nenhuma nos seus 232 anos de história.

A juíza assumiria a cadeira do magistrado Stephen Breyer, que anunciou em janeiro que se aposentaria neste verão, após 28 anos no cargo.

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