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Líderes do G7 discutem crise do Afeganistão a uma semana da "linha vermelha"

Líderes do G7 discutem crise do Afeganistão a uma semana da "linha vermelha"

Os líderes do G7 vão reunir-se, esta terça-feira, para "discussões urgentes" sobre o Afeganistão, onde os talibãs recusaram que a operação internacional para retirar milhares de estrangeiros e colaboradores afegãos ultrapasse a "linha vermelha" de 31 de agosto.

A reunião, em formato virtual, foi convocada pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, cujo país preside atualmente ao grupo das economias mais desenvolvidas, o denominado G7. Além do Reino Unido, integram o G7 Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália e Japão.

A reunião realiza-se numa altura de maior tensão entre os talibãs e as forças internacionais sobre o prazo para terminar a retirada de milhares de pessoas que se têm concentrado no aeroporto de Cabul desde a tomada de poder pelos rebeldes, em 15 de agosto.

Os EUA retiraram 37 mil pessoas do Afeganistão desde 14 de agosto, número que ascende a 42 mil desde o final de julho, enquanto o Reino Unido transportou 6600 desde a véspera da tomada de Cabul.

A braços com críticas à forma como conduziu o processo, o Presidente Joe Biden admitiu prolongar a operação para lá de 31 de agosto, a data que tinha fixado para terminar a retirada das tropas dos EUA, após uma guerra de 20 anos no Afeganistão. O Reino Unido indicou pretender discutir a questão, até porque depende, como os outros países, da estrutura de segurança que as forças norte-americanos mantêm no aeroporto de Cabul, onde também há ameaças de atentados.

"Quando eles [EUA] se retirarem, levarão a estrutura...e nós teremos de partir também", resumiu o secretário da Defesa britânico, Ben Wallace, alertando que a operação deve ser agora medida "por horas, e não por semanas".

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A questão não ficou sem uma resposta clara dos talibãs, que definiram o prazo da saída das forças estrangeiras como uma "linha vermelha". "Se os EUA ou o Reino Unido pedirem mais tempo para continuar as evacuações, a resposta é não. Ou haverá consequências", afirmou um dos porta-vozes dos talibãs, Shuail Shaheen, na véspera do G7.

Fontes do movimento rebelde adiantaram que, no mínimo, os talibãs não anunciarão o seu governo enquanto houver um soldado dos EUA no país.

A uma semana do fim do prazo de 31 de agosto, o G7 deverá discutir uma posição comum para lidar com os talibãs, tendo sido admitida uma imposição imediata de sanções, mas a situação em Cabul poderá condicionar eventuais medidas.

No terreno, milhares de afegãos mantêm a esperança de poderem fugir ao extremismo dos talibãs, que se têm esforçado por dar uma imagem mais suave de si próprios, face às recordações da violência que caracterizou o seu primeiro governo (1996-2001).

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