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Líderes políticos da Esquerda à Direita lamentam morte de Manuel Fraga

Líderes políticos da Esquerda à Direita lamentam morte de Manuel Fraga

Líderes políticos espanhóis, da Esquerda à Direita, expressaram no domingo o seu pesar pela morte, em Madrid, do fundador do Partido Popular espanhol, o galego Manuel Fraga Iribarne, de 89 anos.

Alfredo Pérez Rubalcaba, ex-vice-presidente do Governo espanhol e candidato à liderança do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) transmitiu já o seu pesar a familiares de Fraga, manifestando respeito pelo papel do ex-presidente do Governo regional da Galiza pelo seu papel como um dos pais da Constituição espanhola.

Vários outros líderes socialistas utilizaram a rede social Twitter para emitir os seus votos de pesar, entre os quais o responsável do grupo socialista no Congresso de Deputados, Eduardo Madina.

Também o presidente da Junta da Andaluzia, José António Griñán, recorreu ao Twitter para destacar que Fraga "soube estar à altura das circunstâncias quando foi necessário construir pacificamente uma Espanha constitucional".

Em comunicado, o porta-voz da Convergência e União (CiU) no Congresso de Deputados, Josep Antoni Duran i Lleida, expressou os pêsames à família de Fraga e ao Partido Popular (PP).

"Aparte as diferenças ideológicas, Manuel Fraga foi uma pessoa chave para que a transição [da ditadura para a democracia] fosse um êxito", disse.

Santiago Carrillo, ex-secretário geral do Partido Comunista Espanhol (PCE), também recordou Fraga, que descreveu como um homem de "talento" que tinha a capacidade de se adaptar aos tempos.

Em declarações à Cadena SER, descreveu Fraga como um homem "muito da direita, muito autoritário e muito obstinado nas suas ideias e atitudes", considerando que, apesar de ter sido um ministro de Franco, desempenhou "um papel positivo" na aprovação da Constituição.

Para Carrillo, a experiência de Fraga na política galega ajudou-o a "compreender a necessidade do estado autonómico" em Espanha, conceito a que Fraga se tinha inicialmente mostrado contrário, e permitiu até que tivesse "relações positivas" com pessoas do Bloco Nacionalista Galego (BNG).

Até mesmo dentro do PP surgiu como "uma espécie de franco-atirador mais liberal", com uma história e vida "muito contraditórias".

Também o Bloco Nacionalista Galego (BNG) reagiu à morte de Fraga, recordando as suas discrepâncias políticas com uma figura que considera "controversa", ainda que note que "hoje não é o momento adequado para fazer um juízo ponderado da sua trajectória pública".

O percurso de Fraga, lembraram os nacionalistas galegos, foi "marcado pela sua participação destacada como ministro da ditadura franquista".

O BNG recorda que sempre teve discrepâncias com a forma como Fraga "concebia o país e o seu papel no Estado espanhol, uma visão claramente devedora das suas origens políticas".

Também da Galiza, surgiu a reacção do presidente do Governo regional, Alberto Núñez Feijóo (PP), que expressou o pesar e a tristeza dos galegos pela morte de quem governou a região durante várias legislaturas.

Destacando o seu apoio à consolidação do estado das autonomias "a partir da sua mais profunda lealdade à nação espanhola", o sucessor de Fraga na liderança do PP galego considerou o fundador do partido "uma referência indiscutível da história recente" do país.

"Don Manuel Fraga é indiscutivelmente uma referência da nossa história: como um dos pais da Constituição Espanhola, como fundador de um dos grandes partidos sobre os que assenta a alternância democrática em Espanha", referiu o responsável em comunicado.

"Estamos a falar do homem que dirigiu boa parte da modernização desta nossa Galiza", apontou.

Feijóo acabou por convocar para segunda-feira um conselho de Governo Regional extraordinário, anulando o resto da sua agenda do dia.

Oficialmente, e depois de ter reagido à morte de Fraga através da rede Twitter, o Partido Popular (PP) emitiu um comunicado em que lamenta a perda de "um homem exemplar que sempre lutou pelos seus ideais".

O PP sublinhou que a ausência de Fraga se sentirá de forma imediata, mas afirmou que o seu legado continuará a animar cada um dos militantes do partido a continuar a trabalhar "incansavelmente".

"O seu grande exemplo sempre perdurará entre nós. Descanse em paz", concluiu o comunicado.