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Síria

Liga Árabe acusa regime sírio de cometer crimes de guerra

Liga Árabe acusa regime sírio de cometer crimes de guerra

O secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Abulgueit, advertiu para a deterioração da situação humanitária em Ghouta oriental, o principal bastião da oposição dos arredores de Damasco, e acusou o regime de cometer crimes de guerra.

Mahmud Afifi, porta-voz do líder da Liga Árabe, disse na sede da organização pan-árabe, no Cairo, que os ataques indiscriminados "não diferenciam entre os civis e os combatentes" e que as forças governamentais utilizam "armas não adequadas" contra zonas residenciais em Ghouta oriental.

Os ataques aéreos e de artilharia terão provocado desde domingo cerca de 200 mortos nesta região, segundo fontes no terreno citadas pela agência noticiosa Efe.

Através do seu porta-voz, o secretário-geral da Liga Árabe exortou ao fim imediato dos ataques "por razões humanitárias" para permitir que os civis e os feridos recebam ajuda humanitária e assistência médica urgente no interior desta região cercada há mais de três anos pelas tropas de Damasco.

A declaração foi ainda dirigida "aos que acreditam que as soluções militares vão levar a estabilidade à Síria", porque "não existe outra alternativa que não seja uma solução política global que responda às aspirações do povo sírio".

Em paralelo, um alto responsável da oposição síria, citado pela agência noticiosa Associated Press (AP), acusou o Governo de cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade neste subúrbio rebelde de Damasco e apelou à reação da comunidade internacional.

Nasr al-Hariri, que chefia o comité representante da oposição síria nas conversações com o Governo de Damasco em Genebra, mediadas pela ONU, disse em Bruxelas que a oposição está empenhada numa solução política, mas estão a "estudar todas as opções".

Al-Hariri frisou ainda que os bombardeamentos dos subúrbios leste de Damasco constituem um "flagrante desafio à lei internacional" e acrescentou que o Conselho de Segurança deverá adotar "decisões decisivas".

Antes, Al-Hariri tinha referido previamente à televisão árabe Al-Arabiya que a oposição está disposta a negociar a retirada de Ghouta dos combatentes com ligações à al-Qaeda, caso isso contribua para o fim da violência.

O Comité de Libertação do Levante, uma organização jiadista, está presente em Ghouta oriental, apesar de não constituir o grupo mais poderoso que atua nesta região.

De acordo com o Observatório sírio de direitos humanos (OSDH), uma ONG com sede em Londres, ligações à oposição e com uma rede de pessoal médico e ativistas no terreno, esta terça-feira foram mortos pelo menos 50 civis em Ghouta, incluindo 13 menores e três mulheres.

Na segunda-feira, ainda segundo esta ONG, 127 pessoas perderam a vida, o maior número de baixas num único dia em Ghouta oriental desde 2015.

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