Reino Unido

Londres quer concluir acordo do Brexit "o mais rápido possível"

Londres quer concluir acordo do Brexit "o mais rápido possível"

O Governo britânico quer concluir um acordo para o Brexit o mais rápido possível e "avançar antes do Conselho da União Europeia na quinta-feira", afirmou um porta-voz do primeiro-ministro Boris Johnson.

"Estamos a trabalhar arduamente. O primeiro-ministro está consciente das limitações de tempo existentes", disse o porta-voz, James Slack, aos jornalistas.

O Conselho Europeu vai reunir-se quinta e sexta-feira em Bruxelas, estando a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) no topo da agenda, tendo em conta o prazo de 31 de outubro para concluir o processo.

O porta-voz adiantou que Boris Johnson discutiu o progresso nas negociações com o presidente francês, Emmanuel Macron, num telefonema "construtivo" esta manhã, no qual garantiu que o Governo britânico vai continuar a trabalhar num acordo até quinta-feira.

Dois pontos de discórdia

Poucos detalhes têm sido divulgados sobre o conteúdo das negociações, que se concentram em manter uma fronteira aberta entre a Irlanda, Estado-membro da UE, e a Irlanda do Norte, região parte do Reino Unido.

As discussões em curso centram-se em dois pontos de discórdia: como aplicar controlos aduaneiros sem a necessidade de uma fronteira física na ilha da Irlanda e a questão do direito de consentimento atribuído às autoridades da Irlanda do Norte sobre um alinhamento com as regras do mercado único.

Reunião adiada e viagem inesperada

Uma reunião semanal do conselho de ministros britânico prevista para esta manhã foi adiada por 24 horas para que o primeiro-ministro possa dar aos seus ministros uma ideia mais clara do processo.

O ministro para o Brexit, Stephen Barclay, fez uma viagem inesperada hoje ao Luxemburgo, onde ministros da UE se reuniram com o negociador-chefe do bloco, Michel Barnier, e disse que as negociações precisavam de "espaço para prosseguir".

"Conversas detalhadas estão em andamento e um acordo ainda é muito possível", garantiu, sentimento partilhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros irlandês, Simon Coveney.

"É difícil, mas é possível", adiantou o ministro irlandês, vincando que "ainda são necessários progressos significativos".

Coveney disse que, "se o acordo não puder ser concluído hoje ou amanhã [quarta-feira] antes da cimeira, os líderes europeus terão que decidir que tipo de mandato eles querem dar a Michel Barnier" e que pode ser proposto continuar as negociações na próxima semana.

O chefe da diplomacia irlandesa não rejeitou a possibilidade de um conselho europeu de emergência no final do mês, mas disse que a decisão só será tomada em Bruxelas.

O governo britânico tem prevista uma sessão parlamentar extraordinária no sábado para discutir os resultados do Conselho Europeu desta semana, sendo 19 de outubro o prazo estabelecido na chamada "lei Benn" para o primeiro-ministro pedir um novo adiamento do Brexit.

Oficialmente designada por a Lei de Saída da UE (n ° 2), mas batizada com o nome do deputado trabalhista e primeiro signatário do texto Hilary Benn, obriga Boris Johnson a pedir uma extensão do processo do Brexit por mais três meses, até 31 de janeiro, se não for alcançado um acordo até 19 de outubro nem autorizada uma saída sem acordo.