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Lula da Silva: "A dor que sinto não é nada diante da dor de milhões" com a covid

Lula da Silva: "A dor que sinto não é nada diante da dor de milhões" com a covid

O ex-presidente Lula da Silva lembrou as "quase 270 mil vítimas" da covid-19 no Brasil e os milhões de pobres no país, nas primeiras declarações após ver a sua condenação anulada. "Tinha a certeza que este dia chegaria".

"A dor que eu sinto não é nada diante da dor de milhões e milhões de pessoas" que não têm comer na mesa na sequência da crise pandémica, declarou Lula da Silva, esta quarta-feira, na primeira conferência de imprensa, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo, São Paulo, após a sua condenação ter sido anulada pelo Supremo Tribunal Federal.

"Se tem um brasileiro que tem razão para ter muitas e profundas mágoas sou eu, mas não tenho, porque o sofrimento que o povo brasileiro e os pobres estão passando neste país é infinitamente maior do que qualquer crime que cometeram contra mim", acrescentou o ex-presidente, em frente de um mega painel onde se liam duas mensagens: "Vacina para todos e auxílio emergencial já" e "Saúde, Emprego e Justiça para o Brasil".

"A minha dor não é nada diante da dor de quase 270 mil pessoas que morreram de covid ou das que viram um familiar morrer de covid", continuou. "Presto a minha solidariedade às vítimas do coronavírus, aos familiares e aos profissionais de saúde", com destaque para os cientistas que foram "desacreditados" pelo presidente Jair Bolsonaro em relação à gravidade da pandemia.

"A questão da vacinação é uma questão de vida ou de morte. Um presidente não é eleito para falar bobagens nas 'fake news'", criticou Lula da Silva.

"Vou tomar a minha vacina, não importa de que país. E quero fazer propaganda para o povo brasileiro. Não siga nenhuma decisão imbecil do presidente da República [Jair Bolsonaro] ou do ministro da Saúde [Eduardo Pazuello]", disse.

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"Tome vacina, porque a vacina é uma das coisas que pode livrar você da covid-19. Mas mesmo tomando a vacina, não ache que já [pode] tirar a camisa, já [pode] ir para o 'boteco' [bar] pedir uma cerveja gelada, ficar conversando. Não! Você precisa de continuar a fazer isolamento, continuar a utilizar máscara, álcool em gel. Pelo amor de Deus. Esse vírus, essa noite, matou quase duas mil pessoas", apontou, em tom exaltado.

O ex-presidente agradeceu depois a quem o apoio durante os 580 dias em que esteve detido, nomeadamente ao Papa Francisco que lhe escreveu uma carta, mas a pessoa responsável pela entrega foi impedida de o fazer pelas autoridades, revelou.

Deixou ainda um agradecimento especial aos advogados. "Muito obrigado. O que aconteceu na segunda-feira [anulação da condenação] só foi possível pela coragem", declarou Lula da Silva.

"Sempre disse que não trocava a minha dignidade pela liberdade. Que não ia para casa preso porque a minha casa não é uma prisão. Tinha a certeza que este dia chegaria", o dia em que se chegaria à conclusão que "nunca teve crime cometido por mim". E frisou: "Já fui absolvido em todos os processos".

"Fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de História", salientou o ex-chefe de Estado. E atribuiu às "falsas acusações" de corrupção contra si, a morte da sua mulher, Marisa Letícia Lula da Silva, em 2017. "Sei que a Mariza morreu por conta da pressão e o AVC se apressou. (...) Fui proibido de visitar o meu irmão num caixão, enquanto estava preso", lamentou.

Apontou depois ao juiz Sérgio Moro, defendendo: "Moro não tem o direito de se transformar no maior mentiroso do Brasil e ser considerado um herói".

"Tenho a certeza de que, hoje, ele [Sérgio Moro] deve estar a sofrer muito mais do que eu sofri. Eu tenho certeza de que o Dallagnol [ex-coordenador da Lava Jato de Curitiba] deve estar a sofrer muito mais do que eu sofri, porque eles sabem que cometeram um erro e eu sei que não tinha cometido nenhum erro", acrescentou o histórico líder do Partido dos Trabalhadores (PT).

Nesta longa declaração, Lula da Silva não confirmou nem desmentiu uma eventual candidatura à Presidência em 2022, lembrando que "os processos vão continuar", para reavaliação na justiça do Distrito Federal. Mas reconheceu que gosta de ouvir o seu nome a ser falado como um possível candidato: "Um político que ninguém lembra dele cai no esquecimento."

Condenação anulada

Lula da Silva, de 75 anos, presidente do Brasil entre 2003 e 2010, foi preso em 2018 e libertado em novembro de 2019, depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir anular as penas de prisão decretadas em segunda instância, como era o caso do ex-presidente.

Na segunda-feira, o juiz Edson Fachin, do STF, anulou todas as condenações de Lula da Silva pela Justiça Federal no Paraná, relacionadas com as investigações da operação anticorrupção Lava Jato.

A anulação foi decretada na sequência da decisão de Fachin, de declarar a incompetência da Justiça Federal do Paraná nos processos sobre a posse de um apartamento de luxo no Guarujá e de uma quinta em Atibaia, ambos em São Paulo, que haviam levado a duas condenações do ex-chefe de Estado brasileiro, em decisões das primeira e segunda instâncias.

Os processos serão agora remetidos para a justiça do Distrito Federal, que vai reavaliar os casos e pode receber novamente as denúncias e reiniciar os processos anulados.

Com a decisão, porém, Lula da Silva voltou a ser elegível e recuperou seus direitos políticos.

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