França

Lusodescendente discriminado pela origem ao pedir estágio

Lusodescendente discriminado pela origem ao pedir estágio

Kévin candidatou-se a um estágio e recebeu um mail enviado por engano com considerações xenófobas. O caso chegou ao Governo francês.

Kévin Pereira, descendente da imigração portuguesa em França, residente em Fleury-Mérogis (sul de Paris) onde, dá-se o acaso, fica uma das maiores cadeias francesas, com um curso superior de "Digital, media e cinema", precisava de um segundo estágio curricular. Enviou o currículo para a OCS (Orange Cinémas Séries, do grupo de telecomunicações Orange) e recebeu a resposta um exato minuto depois. "Ok, mais um Kévin português. E ainda por cima aparentemente está na prisão." Assinado Sébastien. Com o preconceito e o racismo escancarado no ecrã, Kévin vingou-se. Publicou uma imagem da reposta no Twitter. E a história do email - que não lhe era dirigido, mas sim aos colegas do tal Sébastien, que se enganou e clicou na opção "responder a todos" em vez de "reencaminhar" - chegou ao Governo francês.

"Recebo imensas mensagens privadas, de apoio, de ajuda, conselhos, força... Até de um porta-voz do Governo. Feliz por isto ir tão longe", escreveu o jovem no Twitter onde denunciara a discriminação. E onde vai atualizando o estado do funcionário da OCS que recebeu o seu currículo. "Temporariamente suspenso", informou-o a própria empresa.

"Ele transferiu o meu perfil aos colegas no espaço de um minuto. O meu CV está repleto, a minha carta de recomendação tem uma página. Ele parou no item "Contacto" do meu CV. Matas-te para ter bons estudos e boas experiências para atingir os teus objetivos, que fixastes há anos, e param no teu nome e na tua morada?", queixou-se o lusodescendente ao jornal "Le Figaro", ao qual a Orange lamentou e condenou "o comportamento individual" do funcionário.

Kévin recebeu um pedido de desculpa direto da diretora dos Recursos Humanos da empresa, que prometeu sancionar o recrutador e garantiu que o lusodescendente seria convocado para uma entrevista para um estágio de "assistente editorial".

A lei laboral francesa proíbe a discriminação de candidatos a estágios ou postos de trabalho por motivos físicos, religiosos, ideológicos, étnicos, de género, nacionalidade, nome, situação familiar, estado de saúde e orientação sexual. E as penas podem ir até três anos de prisão e 45 mil euros de coima para a empresa e o despedimento do funcionário.

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