EUA

Lusodescendente pode ser afastado do Congresso por modificar relatório

Lusodescendente pode ser afastado do Congresso por modificar relatório

A líder democrata da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos exigiu, esta quinta-feira, à maioria republicana na câmara que retire ao congressista lusodescendente Devin Nunes a presidência da Comissão de Informações, por ter modificado um relatório sobre a Rússia.

A democrata Nancy Pelosi, líder na minoria democrata, pediu por carta ao presidente da Câmara baixa do Congresso dos Estados Unidos, Paul Ryan, que afaste Nunes da Comissão que supervisiona os serviços secretos, de espionagem e de informações, agências encarregadas da segurança nacional dos Estados Unidos.

Na noite de quarta-feira, ficou a saber-se que Nunes alterou o conteúdo de um memorando elaborado pelo Partido Republicano depois de ter sido autorizada a sua publicação.

O representante Adam Schiff, o democrata de maior patente na Comissão de Informações, garantiu - através do Twitter - que Nunes partilhou com o Presidente Donald Trump uma versão "secretamente alterada" do memorando republicano sobre abusos de poder do Departamento de Justiça, relacionados com vigilância executada na investigação à alegada ingerência russa nas eleições.

Schiff acusou Nunes de ter feito alterações "substanciais" ao texto confidencial, antes de partilhá-lo com o advogado da Casa Branca para publicação.

Essas alterações, alega Schiff, não foram aprovadas por toda a Comissão, tal como indicam as regras protocolares.

"Descobrimos hoje à noite que o presidente [da Comissão] Nunes fez alterações substanciais à nota enviada para a Casa Branca, alterações não aprovados pela Comissão. Portanto, a Casa Branca reviu um documento que a Comissão não aprovou para publicação", disse Schiff através da rede social Twitter.

Segundo a líder da minoria democrata na Câmara, Nancy Pelosi, os atos de Nunes constituem uma violação das regras da Câmara e configuram "um padrão partidário para desacreditar as investigações" sobre o escândalo da alegada coordenação entre a campanha de Trump e o Governo russo para interferir nas presidenciais de 2016.

Tanto o Departamento de Justiça como o FBI (serviços secretos internos dos EUA) advertiram para o perigo de uma eventual publicação do memorando de Nunes, manifestando grande preocupação sobre a exatidão do mesmo e sobre a possível deturpação de informação classificada.

"As ações deliberadamente desonestas do presidente Nunes inabilitam-no para o desempenho como presidente [da Comissão], pelo que deve ser imediatamente destituído desta posição", escreve Pelosi na carta a Ryan.

"O padrão de obstrução e encobrimento dos republicanos para ocultar a verdade sobre o escândalo Trump-Rússia representa uma ameaça para os nossos serviços de informações e para a nossa segurança nacional", concluiu.

Pelosi também qualificou este processo como "uma farsa" e criticou Ryan por, como presidente da Câmara baixa, não ter já posto fim à situação.

A Comissão de Informações da Câmara dos Representantes votou favoravelmente, esta semana, a publicação do relatório elaborado pelos republicanos sobre as provas recolhidas durante a investigação, mas votou contra a publicação da versão democrata do mesmo.

A falta de imparcialidade - por se tratar de um documento partidário - aliada às alegadas alterações por parte de Nunes, colocam em dúvida a veracidade do texto, o que poderia dificultar as investigações do Procurador Especial para o caso, Robert Mueller.

Trump, que terá a palavra final sobre se o relatório é publicado ou não, manifestou-se recentemente "100% a favor" de publicar o relatório, apesar dos apelos contrários feitos pelo Departamento de Justiça e pelo FBI.

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