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Macron acorda com culto muçulmano criação de conselho de imãs

Macron acorda com culto muçulmano criação de conselho de imãs

O presidente francês acordou com as instituições muçulmanas do país criar um conselho de imãs que aprove os religiosos que podem oficiar no país e elaborar uma carta de valores republicanos a respeitar pelos líderes do Islão em França.

A medida, anunciada esta quinta-feira pela presidência francesa, faz parte do objetivo declarado por Emmanuel Macron de acabar com a influência radical de alguns líderes religiosos muçulmanos, no âmbito do plano de combate ao terrorismo islâmico.

O seu objetivo é pôr fim, em quatro anos, à presença em França dos 300 imãs estrangeiros "destacados" pela Turquia, Marrocos e Argélia, já que muitos destes pregam uma doutrina radical.

Além disso, Macron encarregou os líderes do novo Conselho Francês de Culto Muçulmano (CFCM) de preparar, no prazo de 15 dias, uma "carta de valores republicanos" que separe religião e política, especifique que o Islão em França é uma religião e não um movimento político e estipule o fim da interferência ou afiliação a Estados estrangeiros.

A carta, pediu o presidente, deve afirmar o reconhecimento dos valores da República, com os quais o Conselho Francês de Culto Muçulmano (CFCM) e as nove federações que o compõem terão de se comprometer.

Desde o seu discurso contra o separatismo e o Islão radical, realizado no início de outubro e sublinhado depois do assassínio do professor Samuel Paty, em Paris, e de um atentado em Nice, Macron tem aumentado a pressão sobre as instâncias dirigentes do Islão em França para lutar contra a influência estrangeira, a radicalização e o islamismo político.

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Na quarta-feira à noite, Emmanuel Macron recebeu o presidente do CFCM, Mohammed Moussaoui, o reitor da mesquita de Paris, Chems-Eddine Hafiz, e os representantes das nove federações que compõem o CFCM.

O presidente disse saber que várias dessas federações têm posições ambíguas sobre esses assuntos e que é preciso "acabar com essas ambiguidades".

Entre as nove federações, representantes de grande parte do culto muçulmano, três não têm "uma visão republicana", como a Milli Görüs, de obediência turca, e a Muçulmanos de França, ex-UOIF, referiu o Eliseu.

"Se alguns não assinarem esta carta, haverá consequências", avisou o presidente.

O conselho de imãs não só poderá consagrar os imãs e dar-lhes um cartão oficial, mas também retirar-lhes aprovação para exercerem em caso de violação dos princípios definidos na carta e de um código de ética que deverá ser criado.

Dependendo do seu papel - há imãs que lideram a oração, imãs que são pregadores e imãs que são palestrantes - ser-lhes-á pedido diferentes níveis de conhecimento de francês e graus académicos, incluindo formação universitária.

A adesão do CFCM a esta nova organização do culto muçulmano em França marca uma vitória de Emmanuel Macron, alvo de críticas, às vezes violentas, de muçulmanos em vários países pelos seus comentários sobre o Islão estar "em crise".

A França foi abalada, no mês passado - e cerca de cinco anos depois dos atentados contra a sala de espetáculos Bataclan e outros locais de Paris que provocaram 130 vítimas mortais -, por novos ataques, como a decapitação de um professor por ter mostrado caricaturas de Maomé numa aula sobre liberdade de expressão e a morte de três pessoas numa igreja católica em Nice.

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