Espanha

Madrid pede declaração de catástrofe para enfrentar fatura milionária do nevão

Madrid pede declaração de catástrofe para enfrentar fatura milionária do nevão

Madrid vai solicitar, esta quinta-feira, a declaração da capital como zona de catástrofe para poder fazer frente aos gastos extraordinários que surgiram na última semana, como consequência do nevão e o frio extremo que continua a deixar a cidade com temperaturas negativas nunca vistas neste século.

O presidente da Câmara Municipal de Madrid, José Luís Martinez-Almeida, afirmou numa conferência de imprensa que o impacto económico ultrapassa os 1 300 milhões de euros, segundo os primeiros cálculos. "Fizemos um pedido de declaração de zona de catástrofe porque cumprimos todos os requisitos. Peço ao Governo celeridade na sua resposta, porque estamos a pedir apoio para que aquelas pessoas que têm sofrido danos nas infraestruturas, negócios ou propriedades possam ser ajudadas".

Esta primeira fatura é apenas provisória, já que pode aumentar devido às constantes inspeções realizadas pelos serviços da Câmara, para garantir a segurança da população. A decisão política, que novamente está envolvida na luta constante entre Governo e oposição, deverá tomada formalmente no Conselho de Ministros para estabelecer oficialmente o modelo de gestão a seguir. Além da capital, outros 75 concelhos da região madrilena, governados por diferentes partidos políticos, apoiam a decisão de Almeida. Entretanto, os Governos da Comunidade de Madrid e de Castela A Mancha podem solicitar uma declaração conjunta das duas regiões como zona de catástrofe.

Por outro lado, o Governo central ainda pondera a decisão final porque, apesar de ter começado a avaliar o custo dos danos, prefere esperar até à conclusão da emergência climatérica de frio extremo, que parece despedir-se do país durante o fim de semana. Os termómetros voltaram a marcar os 12 graus negativos na região da capital, enquanto a localidade de Molina de Aragão, em Guadalajara, voltou a bater o recorde diário pelo segundo dia consecutivo, com -21,6º.

Sem data definida para voltar as aulas

PUB

O próximo desafio das autoridades madrilenas é preparar o regresso às aulas, depois de retirar as 1250 toneladas de neve que fizeram a capital entrar em colapso. A vice-presidente da Câmara Municipal de Madrid, Begoña Villacís, confirmou que a cidade nunca tinha "experimentado uma catástrofe desta magnitude", deixando "meio milhão de alunos" sem aulas até pelo menos a próxima semana.

"Quando conseguirmos limpar todos os acessos, as escolas devem ter a certeza de que as aulas são seguras. É muito complicado garantir um regresso à escola na próxima segunda-feira", afirmou a dirigente preocupada também pelo cumprimento dos protocolos covid-19 dentro das escolas. "Estamos a tentar arranjar soluções para um desastre natural, enquanto lidamos com uma pandemia que continua presente na nossa cidade".

Apesar de a capital espanhola regressar aos poucos à normalidade, ainda há mais de sete mil ruas cobertas de neve transformado em gelo. O árduo trabalho da Unidade Militar de Emergência está a ser chave na limpeza das principais vias de abastecimento de Madrid, para recuperar de um bloqueio histórico. Porém, Almeida não se atreveu a fixar ainda uma data da recuperação total da mobilidade. "Temos que retirar uma quantidade de gelo e neve que é equivalente a uma caravana de camiões de Madrid até Bruxelas". Segundo os dados da Direção Geral de Trânsito, mais de 400 estradas encontram-se afetadas pela tempestade em Espanha.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG