Espanha

Mãe da madrasta de Gabriel invoca "demónio" para explicar homicídio

Mãe da madrasta de Gabriel invoca "demónio" para explicar homicídio

A mãe e os irmãos de Ana Julia Quezada, a mulher que confessou ter matado o enteado de oito anos, Gabriel Cruz, em Las Hortichuelas, no município espanhol de Níjar, província de Almeria, reagiram com consternação e choque à notícia do homicídio.

Foi com incredulidade que os familiares de Ana Julia responderam aos jornalistas, no humilde povoado dominicano de La Cabuya, horas depois da detenção da mulher que, esta terça-feira, confessou ter matado o filho do homem de quem estava noiva. Pais e irmãos não quiseram acreditar que a menina "trabalhadora e bondosa" que saiu da República Dominicana aos 20 anos fosse capaz de matar.

"Acho estranho... Nós somos humildes, ganhamos o pão com o nosso suor. Não creio que ela, que veio de baixo com sacrifício e esforço, tire a vida a um inocente", dizia à imprensa Juan José Quezada, um dos nove irmãos de Ana Julia, antes de a descrever como alguém pouco dado a violências. "Estranha-me que ela seja acusada disso (do crime de homicídio), de alto tão grave. Para mim é uma cabala que lhe estão a montar", continuou, insistindo na inocência da irmã.

"Há mãos criminosas por detrás que não as dela. Que comecem a investigar a família do marido. Ela tem muita gente contra ela e os inimigos são capazes de qualquer coisa. Acredito em Deus e nela. Não o fez", garantiu outro familiar, citado pelo o espanhol "El Mundo".

Joana Cruz, de 72 anos, mãe de Ana Julia, disse que só o "demónio" a levaria a cometer um crime tão horrendo. "Uma filha minha, com tão boa educação... Não acredito. Se há mais alguém envolvido que fale, para ela não arcar com as culpas sozinha. Jamais pensaria que ela pudesse fazer uma coisa dessas".

Aos jornalistas, os irmãos da mulher disseram que tiveram de eliminar as redes sociais, tantos eram os insultos de que estavam a ser alvo. Foi, precimentente, pelos jornais e redes sociais, que a família da homicida confessa soube do desaparecimento de Gabriel e da posterior detenção de Ana Julia, sendo que, em nenhuma altura, foram contactados.

A dominicana de 43 anos, que confessou a autoria do homicídio de Gabriel Cruz, está a ser investigada pela morte da filha mais velha, em 1996. A menina de quatro anos morreu depois de, alegadamente, ter-se debruçado sobre a varanda de casa, um sétimo andar no município de Burgos. A morte foi dada como acidental na altura mas, na sequência dos novos factos, o caso está novamente sob investigação policial.

"As pessoas vão dizer sempre que matou a menina, que matou o menino, que era má filha, má irmã e isso tudo", desabafou Lucía Quezada, adiantanto que a filha falecida da irmã sofria de sonambulismo e que a queda tinha sido resultado desse transtorno.

As cerimónias de Gabriel Cruz, o menino de oito anos cujo corpo foi encontrado na bagageira da madrasta, Ana Julia, foram celebradas esta terça-feira, na Catedral de Almeria, na presença de milhares de pessoas.