Ucrânia

Dez crianças entre os 50 mortos de ataque em estação de comboios

Dez crianças entre os 50 mortos de ataque em estação de comboios

A Rússia intensificou os ataques nas regiões de Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia. Dois "rockets" atingiram a estação de comboios de Kramatorsk, onde estavam milhares de pessoas a tentar fugir da ofensiva. Moscovo nega a autoria e volta a falar em "provocação".

"Pelas nossas crianças", lê-se escrito em russo num "rocket" caído numa zona de relva junto à estação de comboios de Kramatorsk, na região de Donetsk, esta sexta-feira de manhã.

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Pelo menos dois "rockets" atingiram a estação ferroviária causando 50 mortos, incluindo dez crianças - 38 pessoas morreram no local e 12 no hospital. Dos 98 feridos que foram transportadas para o hospital, 16 eram crianças, 46 mulheres e 36 homens, indicou o autarca da cidade, Pavlo Kyrylenko.

"Aconteceu às 10.30 horas, nessa altura tínhamos cerca de quatro mil pessoas na estação ferroviária, à espera do primeiro comboio", disse Oleksander Honcharenko, autarca da cidade, garantindo que não havia alvos militares ucranianos por perto. Recorde-se que, na quinta-feira, as autoridades ucranianas pediram à população para sair de imediato, face à perspetiva de uma grande ofensiva das tropas de Moscovo.

A estação "estava cheia, tal como esteve ontem e anteontem", disse Nathan Moo, responsável da organização World Central Kitchen, que fornece refeições em zonas de catástrofes. "Dois minutos depois de ter passado de carro" ouviu cinco a dez explosões. "Sente-se antes de ouvir. A explosão agita-nos por dentro", acrescentou à BBC.

Após o ataque, Nathan Moo voltou à estação e viu a devastação: "Os destroços de um dos mísseis nos parques de estacionamento, janelas rebentadas, uma dúzia de vítimas".

Rússia nega, Zelensky denuncia "maldade sem limites"

A Rússia já negou qualquer envolvimento neste ataque. "Todas as acusações de representantes do regime nacionalista de Kiev de que a Rússia realizou um ataque com mísseis na estação ferroviária de Kramatorsk são uma provocação e não correspondem à verdade", disse o Ministério da Defesa, num comunicado publicado na rede de mensagens Telegram.

Por outro lado, o presidente da Ucrânia denunciou a "maldade sem limites" de Moscovo. "Sem a força e a coragem para nos enfrentar no campo de batalha, destroem cinicamente a população civil. Esta é uma maldade que não conhece limites. E se não for punida, nunca parará", escreveu Volodymyr Zelensky na rede Telegram, denunciando os métodos "desumanos" das forças russas. De acordo com o chefe de Estado ucraniano, o ataque é a "prova" de que a Rússia "extermina" a população civil.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, condenou o ataque frisando que Moscovo sabia que a estação de comboios estava cheia de civis em fuga da região. "Foi um massacre deliberado. Vamos levar cada criminoso de guerra à justiça".

"Foi um míssil Tochka, uma bomba de fragmentação", disse à agência France-Presse (AFP) um agente da polícia ucraniana que se encontrava na estação.

Ofensiva a leste

A Rússia lançou nas últimas 24 horas sete ataques nas regiões de Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia, que foram repelidos, disse o Estado Maior do exército ucraniano ao início da manhã.

Segundo o último relatório de guerra, as forças da Ucrânia destruíram quatro tanques, dois sistemas de artilharia, 10 unidades blindadas e 11 veículos russos.

O Estado Maior disse que os esforços da Rússia estão concentrados no leste da Ucrânia, nomeadamente no cerco do porto estratégico de Mariupol, no Mar de Azov, e numa ofensiva na cidade de Izyum, junto ao rio Donetsk, na região de Kharkiv.

As tropas russas continuam a bloquear a cidade de Kharkiv e a colocar minas para impedir "o avanço das tropas ucranianas", refere o relatório.

O governador da região de Kharkiv, Oleg Sinegubov, anunciou a morte de pelo menos 14 pessoas nas áreas residenciais de Saltivka e Oleksiivka, bem como num edifício da empresa Tractor Plant, que fabrica máquinas agrícolas.

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