Brasil

Mais de 50 homicídios em 48 horas de greve de polícias militares

Mais de 50 homicídios em 48 horas de greve de polícias militares

O Estado brasileiro do Ceará registou 51 homicídios em 48 horas, durante um protesto de polícias e bombeiros militares, que reclamam por aumentos salariais.

Nos dois últimos dias da paralisação, que começou na terça-feira à noite, já houve 51 assassinatos, o que equivale a mais de um por hora - até agora, a média de homicídios no Ceará era de seis diários. Os polícias militares têm fechado e ocupado os respetivos postos - só hoje, pelo menos nove dos 43 estiveram ocupados por manifestantes encapuzados - e atacado carros oficiais, esvaziando pneus, para que as viaturas não possam ser utilizadas. Os motins tiveram o seu ponto alto na quarta-feira, quando o senador Cid Gomes foi baleado, ao avançar com uma retroescavadora contra o portão de um quartel tomado por policias militares.

Na base dos protestos, estão reivindicações por aumentos salariais e melhores condições de trabalho. A proposta do Governo brasileiro é aumentar, progressivamente até 2022, o salário de um polícia militar dos atuais 3,2 mil reais (cerca de 630 euros) para 4,5 mil (943). Mas a classe reclama o aumento já este ano.

Na sequência dos motins, Jair Bolsonaro autorizou o envio de tropas das Forças Armadas e de 300 agentes da Força Nacional para o Estado do Ceará, por forma a reforçar a segurança na região.

Carnavais cancelados

Devido à falta de condições para garantir a segurança pública, a greve da Polícia Militar no Estado brasileiro obrigou também ao cancelamento de festas de Carnaval em pelo menos oito cidades da região do nordeste, onde as Forças Armadas tiveram de intervir para acalmar a tensão social. E três outras cidades viram-se obrigadas a contratar segurança privada para acompanhar os desfiles de rua durante os cinco dias de Carnaval.

De acordo com a Constituição brasileira de 1988, membros das Forças Armadas e polícias militares não podem fazer greve, decisão que foi confirmada em 2017 pelo mais alto tribunal do país, que estendeu a imposição a polícias federais e civis. A justificação, escreve o jornal "Folha de S. Paulo", é que, além de prestarem um serviço essencial, as forças de segurança têm um poder de coação muito maior do que as outras classes, podendo representar uma ameaça à democracia em tempos instáveis.