Ucrânia

Mais de 75 mortos no dia mais violento em Kiev

Mais de 75 mortos no dia mais violento em Kiev

Pelo menos 75 pessoas morreram em Kiev na quinta-feira. A Polícia disparou a matar e as milícias da Oposição lançaram uma caça aos snipers que, na quinta-feira, fizeram dezenas de vítimas. Veja o vídeo.

Do anel de fogo que por tantos dias iluminou a Praça da Independência, na noite de quinta-feira só restavam as cinzas e o cheiro pestilento a gasolina e a pneus queimados. As chamas foram apagadas para se celebrar uma missa ortodoxa em homenagem aos mortos resultantes de mais um dia de violência extrema no bastião que a Oposição ucraniana mantém no centro de Kiev. Foi a mais sangrenta jornada de três meses de protestos contra a liderança de Viktor Ianukovich e as suas políticas antieuropeias. Segundo os revoltados, registaram-se 100 mortos. O número oficial aponta para 75 óbitos e a Polícia refere ainda que 67 agentes foram feitos reféns.

Do balanço de vítimas, contam-se ainda centenas de feridos, muitos dos quais tratados num hotel contíguo à praça e que alberga parte dos jornalistas enviados a Kiev.

Na praça onde se joga o tudo ou nada, a guerra dos números é só um detalhe. Manifestantes acusam a Polícia de ter começado os confrontos, iniciados após o breve cessar-fogo unilateral declarado pela presidência do país, enquanto os militares justificam a ação como uma resposta a provocações.

Elena Bondareva, que ao cair da noite ordenava caixas de medicamentos doados por anónimos numa enfermaria improvisada na rua, não tem dúvidas de que este "foi um dos ataques mais violentos de sempre". "Tratamos pessoas com ferimentos de granadas, por isso alguém as atirou para a praça", constata a enfermeira que, como escudo, exibe apenas uma capa plástica branca com uma cruz feita de fita cola vermelha. Nesta confrontação sem inocentes, a verdade é que as balas reais começaram a ser usadas indiscriminadamente. Sviatoslav Khanenko, responsável médico dos manifestantes, refere que todos os mortos "apresentavam ferimentos de bala".

Há uma hora de marreta em punho, Anatoli Avramenko retira paralelos da rua. Interrompe a minuciosa tarefa de os empilhar com rigor militar para que possam ser usados na defesa da primeira barricada que protege a Praça da Independência e mostra a perfuração de bala no metal da esplanada fechada. "Bateu aqui. Outras atingiram quem aqui passava", conta. Anatoli e tantos outros no centro de Kiev não têm dúvidas de que "foram tiros dados por snipers (atiradores furtivos) que estavam ali por cima do MacDonald's". Ninguém estranhou, por isso, que as milícias da Oposição, armadas de bastões e barras de ferro, estivessem a passar a pente fino todos os hotéis da Baixa de Kiev em busca de responsáveis por mais esta carnificina.

Em simultâneo, outros opositores a Ianukovich consolidavam as barricadas que tentam a manter, tão a salvo quanto possível, a Praça da Independência. Ergueram-se muros em tijolo e soldaram--se barras de metal. Gente de todas as idades, de capacete na cabeça e improvisados coletes à prova de bala, enchia com rigor de químico garrafas para "cocktails molotov". E de todos os lados continuavam a chegar pneus que prometem voltar a iluminar a praça. E atiçar mais violência.

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