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Mais de 90 agressões sexuais no Cairo nos últimos dias

Mais de 90 agressões sexuais no Cairo nos últimos dias

Foram cometidas mais de 90 agressões, no Egito, na praça Tahrir e nos arredores do Cairo, durante as manifestações contra o presidente Mohamed Morsi, que decorreram nos últimos dias, divulgou, esta quarta-feira, a Human Rights Watch.

A organização dos direitos humanos, sediada em Nova Iorque, relatou, pelo menos, 91 casos de agressões, incluindo violações, desde o dia 28 de junho.

Os dados foram recolhidos pelas associações locais que lutam contra este tipo de fenómeno, que se tornou recorrente à margem das manifestações no Egito.

Um comunicado da Human Rights Watch (HRW) refere que ocorreram cinco ataques contra mulheres a 28 de junho, 46 casos a 30 de junho, o dia mais forte das manifestações, 17 ataques a 1 de julho e 23 no dia seguinte.

O cenário descrito pelas vítimas com mais frequência é de um grupo de jovens homens "que identificam uma mulher, circundam-na e separam-na dos amigos" antes do ataque, rasgam-lhe as roupas e violam-na.

Em certos casos, a vítima é atirada para o chão e arrastada para que a agressão prossiga noutro local.

Muitos destes episódios de agressão, que duram cerca de uma hora, acabam por levar à hospitalização das vítimas.

A HRW relatou que as mulheres foram "espancadas com correntes de metal, bastões, cadeiras e atacadas com facas".

O comunicado da organização dos direitos humanos lamentou "o desinteresse do Governo" egípcio por este problema, que se traduz numa cultura de "impunidade".

Diante da amplitude do fenómeno, vários grupos foram criados no Cairo nos últimos meses para relatar as agressões sexuais e proteger as mulheres.

Estes ataques visaram, em vários casos, jornalistas estrangeiras.

Sem prisões, os responsáveis por estas agressões não são identificados.

Grupos aproveitam-se do facto de a polícia negar-se a estar presente na praça Tahrir para cometer as agressões.

Grupos militantes contra a violência estimam que esses atos visam dissuadir as mulheres de participarem em manifestações contra o poder e denegrir a imagem dos protestos pró-democracia.

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