Denúncia

Mais de cem detidos morreram sob tortura em Myanmar

Mais de cem detidos morreram sob tortura em Myanmar

Pelo menos 103 pessoas foram torturadas até à morte em centros de interrogatório em Myanmar desde o golpe militar de 1 de fevereiro de 2021, denunciou a Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos birmanesa.

"Os presos políticos são sistematicamente torturados física e mentalmente e pelo menos 103 ativistas pró-democracia foram torturados até à morte em centros de interrogatório, a maioria nas primeiras 48 horas após a detenção", disse a associação num relatório, citado pela agência espanhola EFE.

Segundo a organização não-governamental (ONG) birmanesa, que tem documentado os abusos da junta militar liderada pelo general Min Aung Hlain desde o golpe, os detidos são punidos com "violência física e mental" se as suas respostas não forem satisfatórias nos interrogatórios.

A associação disse também que 324 pessoas ligadas a supostos opositores da junta militar foram feitas reféns pelas forças de segurança desde o golpe, e que 270 delas continuam presas, incluindo crianças.

"Os riscos de detenção de crianças pequenas são profundos. Um rapaz de dois anos com uma doença preexistente morreu numa prisão de Sittwe devido a negligência em fevereiro de 2022", denunciou a ONG.

Segundo a mesma associação, pelo menos 12.875 pessoas foram presas ou feitas reféns para ameaçar um membro da família desde o golpe e 1700 pessoas foram mortas pela repressão das forças de segurança.

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A antiga Birmânia tem estado mergulhada numa profunda crise política, social e económica desde o golpe que pôs fim ao regime democrático e impôs a repressão violenta da dissidência, que exacerbou o conflito armado no país do sudeste asiático.

O exército justificou o golpe com uma alegada fraude durante as eleições gerais de novembro de 2020, em que a Liga Nacional para a Democracia (NLD) repetiu a vitória de 2015, em escrutínios validados por observadores internacionais.

A líder da NLD, Aung San Suu Kyi, 76 anos, está detida desde o golpe e já foi condenada a pelo menos seis anos de prisão, mas enfrenta outros processos que poderão prolongar a pena.

Antes de 2015, a galardoada com o Prémio Nobel da Paz em 1991 viveu 15 anos em prisão domiciliária, também após uma vitória do seu partido nas eleições de 1990.

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