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Revolta

Mais de mil detidos e 76 mortos. O que se sabe até agora da crise no Irão

Mais de mil detidos e 76 mortos. O que se sabe até agora da crise no Irão

Ativistas, jornalistas, mulheres... são mais de 1200 os manifestantes detidos no Irão nos protestos de revolta e indignação após a morte de Mahsa, jovem presa por não usar corretamente o véu na cabeça. Nações ocidentais fazem pressão e impõem sanções para Teerão acabar com a violência.

O Irão enfrenta a maior onda de revolta popular dos últimos três anos. E as autoridades têm respondido aos protestos nas ruas com uma violenta repressão que levou à detenção de, pelo menos, 1200 pessoas. Vítimas mortais serão já 76, segundo a instituição Iran Human Rights (IHR), embora as autoridades iranianas indiquem 41 manifestantes mortos - um balanço divulgado no passado sábado e que, segundo Teerão, continua inalterado.

A maioria das famílias foi forçada a enterrar os seus entes queridos à noite e pressionada para não realizar funerais públicos. Muitas famílias foram ameaçadas com acusações legais se divulgassem as suas mortes, denuncia a organização de direitos humanos iraniana com sede em Oslo, na Noruega.

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Continuam as restrições generalizadas na Internet, incluindo bloqueios no Instagram e no WhatsApp, o que dificulta o acesso a dados atualizados, mas o IHR teve acesso a vídeos e certidões de óbito que confirmam que estão a ser disparadas munições reais contra os manifestantes. Entre os mortos há seis mulheres e quatro crianças.

A faísca da revolta dos iranianos disparou com a morte de Mahsa Amini, a 16 de setembro. A jovem de 22 anos estava em Teerão para visitar familiares quando foi detida pela polícia da moralidade, no dia 14, por alegada violação das regras estritas do país sobre o hijab. Testemunhas revelaram que foi espancada na carrinha da polícia e também na esquadra. Desmaiou e entrou em coma, acabando por ser declarado o óbito no hospital.

Tal como tem sucedido desde a morte de Mahsa, os manifestantes voltaram às ruas na segunda-feira à noite.

Em Sanandaj, capital da província natal de Mahsa, no Curdistão, as mulheres subiram aos tejadilhos dos carros para arrancar os lenços da cabeça perante multidões a aplaudir, segundo imagens publicadas pelo IHR, nas quais não há polícias visíveis.

Em Teerão, milhares de manifestantes gritaram "morte ao ditador", numa referência ao líder supremo aiatola Ali Khamenei, de 83 anos.

Países ocidentais condenam "violenta repressão"

A França expressou, na segunda-feira, a sua "mais forte condenação da violenta repressão por parte do aparelho de segurança iraniano às manifestações" no país.

"Esta repressão brutal já provocou a morte de várias dezenas de manifestantes nos últimos dias", denunciou o ministério dos Negócios Estrangeiros, em comunicado, especificando que a França está a examinar com os parceiros europeus "as possibilidades de reação a estas novas violações massivas dos direitos humanos e das mulheres no Irão".

"A França condena toda a violência, prisões e detenções arbitrárias, bem como as flagrantes violações dos direitos das mulheres e da liberdade de expressão através do bloqueio de sites de informação e redes sociais", assim como as prisões "de jornalistas no exercício da sua profissão", insistiu o ministério dos Negócios Estrangeiros francês.

Aquele departamento governamental exortou ainda o Irão a "pôr fim a esta repressão brutal, respeitar os seus compromissos internacionais de direitos humanos e a garantir a liberdade de reunião e de associação pacíficas, assim como a liberdade de opinião e de expressão, especialmente na internet".

A Alemanha convocou o embaixador iraniano, o Canadá anunciou sanções contra "dezenas de pessoas e entidades", os EUA impuseram sanções contra a polícia de moralidade iraniana e a União Europeia denunciou o "uso de força desproporcional" por parte das autoridades iranianas.

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