Moçambique

Mais de quatro mil crianças entre os deslocados de Palma

Mais de quatro mil crianças entre os deslocados de Palma

O ataque à vila de Palma, no norte de Cabo Delgado, perpetrado, alegadamente, por insurgentes do autoproclamado Estado Islâmico, já motivou a fuga de mais de nove mil pessoas da vila de Palma. Cerca de 45% dos deslocados internos são crianças, alertou o gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), enquanto a já grande crise humanitária que assolava o norte de Moçambique continua a adensar-se.

Os relatos são demasiado duros e a descrição do que em Palma se passa são dignas de um "filme de terror". "Sinto impotência por ouvir tantos relatos de pessoas que foram decapitadas e por ver o sofrimento no olhar de quem viu os seus familiares e conhecidos serem selecionados para morrer", descreveu a Irmã Mónica da Rocha, responsável pela Casa do Imaculado Coração de Maria, em Lichinga, na província de Niassa, à fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

"Sinto revolta e impotência perante esta realidade", acrescentou a religiosa, classificando o conflito de "guerra cruel" e denunciando o silêncio das autoridades face aos ataques que estão a flagelar a região de Cabo Delgado desde outubro de 2017.

PUB

A fome continua a adensar-se e os deslocados não param de chegar. "Pelo menos 9158 pessoas - 45 por cento das quais crianças - chegaram aos distritos de Nangade, Mueda, Montepuez e Pemba, de acordo com a última atualização da Organização Mundial para as Migrações", revelou a OCHA.

Total retira funcionários

Mas os números irão engrossar à medida que a população que fugiu a pé começar a chegar às cidades. "Outros milhares estão a deslocar-se pela floresta à procura de um local seguro e devem chegar a diferentes locais nos próximos dias", acrescentou o gabinete.

Entretanto, Programa Alimentar Mundial, que estava a levar a cabo voos humanitários para retirar a população de Palma, decidiu suspender as ligações por questões de segurança.

O hospital de Pemba, o maior de Cabo Delgado, já recebeu 81 feridos do ataque à vila de Palma, oito dos quais necessitam de internamento. Três dos feridos mais graves tiveram de ser transportados para o hospital central de Nampula, a maior unidade de saúde do norte do país.

À falta de capacidade em assegurar a segurança e resgatar o controlo de Palma por parte das Forças de Segurança moçambicanas, a petrolífera francesa Total, que tinha na vila um posto para exploração de gás, decidiu fechar as operações e retirar todos os funcionários daquela zona.

Persuadir a petrolífera a voltar será difícil, disse à agência France-Presse, uma fonte de segurança em Maputo. Todas as instalações da Total estão abandonadas. A decisão da Total chegou depois de as imagens captadas por drones terem mostrado que os insurgentes continuavam em áreas "muito próximas" da exploração de gás em Afungi, a dez quilómetros da cidade de Palma.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG