Rússia

Mais de quatro mil pessoas detidas em manifestação a favor de Navalny

Mais de quatro mil pessoas detidas em manifestação a favor de Navalny

A polícia russa deteve mais de quatro mil pessoas durante as manifestações deste domingo a exigir a libertação do líder da oposição Alexei Navalny, revelou a organização não governamental OVD-Info, citada pela Agence France-Press.

De acordo com esta organização especializada na monitorização de manifestações na Rússia, as detenções de 4.027 pessoas ocorreram principalmente em Moscovo (1.167), mas também em São Petersburgo (862), a segunda cidade do país, ou em Krasnoyarsk (194), na Sibéria e em outras grandes cidades do país.

Segundo a Associated Press (AP), dezenas de milhares de pessoas estão a protestar em toda a Rússia a exigir a libertação do líder da oposição, Alexei Navalny, numa onda de manifestações nacionais que abalaram o Kremlin.

É com grande esforço que as autoridades têm conseguido conter a onda de manifestações depois que dezenas de milhares de pessoas se reunirem em todo o país no último fim de semana, na maior e mais difundida demonstração de descontentamento que a Rússia já viu em anos.

Apesar das ameaças de prisão, advertências a grupos de media social e cordões policiais apertados, os protestos estiveram presentes em várias cidades nos 11 fusos horários da Rússia.

Os Estados Unidos instaram a Rússia a libertar Navalny e criticaram a repressão aos protestos. "Os EUA condenam o uso persistente de táticas duras contra manifestantes pacíficos e jornalistas pelas autoridades russas pela segunda semana consecutiva", disse o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, na rede social Twitter.

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O Ministério das Relações Exteriores da Rússia entendeu o pedido de Blinken como uma "interferência grosseira nos assuntos internos da Rússia" e acusou Washington de tentar desestabilizar a situação no país apoiando os protestos.

As autoridades introduziram medidas de segurança sem precedentes no centro da cidade de Moscovo, fechando estações de metro próximas ao Kremlin, cortando o transporte público e ordenando que restaurantes e lojas permaneçam fechados.

Inicialmente, a equipa de Navalny pediu que o protesto fosse realizado na praça Lubyanka, em Moscovo, onde fica o quartel-general do Serviço de Segurança Federal, que Navalny afirma ter sido o responsável pelo seu envenenamento.

Enfrentando cordões policiais ao redor da praça, o protesto mudou para outras praças centrais e ruas.

A certa altura, multidões de manifestantes caminharam em direção à prisão Matrosskaya Tishina, onde Navalny está detido, onde foram recebidos por polícias de choque que perseguiram os manifestantes, detendo dezenas e espancando alguns com cassetetes.

Mesmo assim, os manifestantes continuaram a marchar ao redor da capital russa, ziguezagueando em torno dos cordões policiais.

Mais de 1.000 foram detidos em Moscovo, incluindo a mulher de Navalny, Yulia, que se juntou ao protesto.

Navalny, 44 anos, um investigador anticorrupção e o crítico mais conhecido de Putin, foi preso a 17 de janeiro ao regressar da Alemanha, onde passou cinco meses a recuperar-se de uma intoxicação por agente nervoso que atribui ao Kremlin.

Laboratórios na Alemanha, França e Suécia, e testes da Organização para a Proibição de Armas Químicas, estabeleceram que ele foi exposto ao agente nervoso Novichok. As autoridades russas recusaram-se a abrir um inquérito criminal completo, alegando falta de evidências de que ele fora envenenado.

Navalny foi preso imediatamente após seu regresso à Rússia, no início deste mês, e preso por 30 dias a pedido do serviço de prisão da Rússia, que alegou que ele violou a liberdade condicional.

Na quinta-feira, um tribunal de Moscovo rejeitou o apelo de Navalny para ser libertado, e uma nova audiência na próxima semana pode transformar a sua pena suspensa de três anos e meio numa em que deve cumprir prisão.

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