China

Mais um suicídio na fábrica da Foxconn

Mais um suicídio na fábrica da Foxconn

A polícia de Shenzhen, no sul da China, confirmou o 10º suicídio na fábrica da Foxconn. Um operário de 23 anos atirou-se de um dos prédios da unidade fabril. Há denúncias de pressões sobre os trabalhadores no maior produtor mundial de componentes electrónicos, incluindo o iPhone da Apple.

De acordo com a informação da polícia, a 10ª vítima da onda de suicídios na fábrica chinesa é um jovem de 23 anos, solteiro, natural de uma província do Norte da China e que trabalhava na Foxconn desde 18 de Junho de 2009.

Testemunhas viram o jovem atirar-se de uma varanda do 7º andar de um dos edifícios de dormitórios do 'campus' da fábrica.

Já houve 12 tentativas de suicídio registadas na Foxconn, em Shenzhen, desde o início do ano, das quais dois operários sobreviveram com ferimentos graves.

O incidente registou-se cerca das 23.20 horas, apenas algumas horas depois do presidente do grupo Hon Hai Precision de Taiwan, que detém a Foxconn, ter feito um pedido de desculpas público pela onda de suicídios e garantido que a empresa vai estar mais atenta à saúde mental dos seus trabalhadores.

"Farei tudo o que puder para salvar vidas", acrescentou o terceiro homem mais rico de Taiwan, com uma fortuna avaliada em 5000 milhões de euros, ao defender que os suicídios poderão estar relacionados com problemas pessoais dos operários.

Nove sociologistas da China criticaram a Foxconn numa carta aberta em que atribuem a onda de suicídios ao desrespeito de direitos humanos básicos.

"A fábrica fala de 'trabalhadores migrantes' para se desculpar e paga-lhes salários muito mais baixos do que a média dos países subdesenvolvidos, forçando-os a levar uma vida sem qualquer dignidade", diz a carta.

Alguns dos 400 mil operários da Foxconn disseram aos jornalistas que auferem salários mensais de cerca de 100 euros por trabalhar seis dias por semana e 12 horas por dia.

Outros denunciaram que a empresa estava a forçá-los a assinar documentos em que prometiam que não se iriam suicidar para as famílias não terem direito a qualquer compensação caso o fizessem.

O presidente da empresa já pediu desculpas pela forma como o documento estava redigido e disse que o mesmo não será mais usado.

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