Polémica

Mais uma demissão no Comité Nobel da Literatura após escândalo sexual

Mais uma demissão no Comité Nobel da Literatura após escândalo sexual

A secretária da Academia Sueca que anuncia o Nobel da Literatura, Sara Danius, comunicou, esta quinta-feira, que vai abandonar o cargo, na sequência do escândalo sexual que abalou, nos últimos dias, a instituição.

Num momento decisivo para a atribuição do Nobel - é em abril que a Academia avalia entre 15 a 20 nomes de possíveis premiados -, ganharam força várias acusações de abusos sexuais envolvendo a instituição.

A decisão de Danius surge no final de uma reunião na sede da Academia Sueca, uma semana depois de três académicos, Klas Östergren e Kjell Espmark e Peter Englund, se terem demitido. No centro do caso, está o dramaturgo francês Jean-Claude Arnault, 71 anos, marido de Katarina Frostenson, membro do Comité Nobel. Segundo o jornal espanhol "El Pais", ambos dirigem o Forum, um centro cultural ligado à Academia, que se viu envolvido no olho do furacão quando, em novembro do ano passado, em plena explosão do movimento #MeToo, Arnault foi acusado de abusos sexuais por 18 mulheres. Alguns dos supostos crimes terão, segundo as denúncias, acontecido em espaços vinculados à Academia.

E como uma desgraça não vem só, sobre o também fotógrafo Jean-Claude Arnault, descrito pelo francês "Le Monde" como uma "personalidade cultural de primeiro plano na Suécia", caiu também a suspeita de que terá tido influência na escolha dos franceses J. M. G. Le Clézio e Patrick Modian na atribuição dos prémios em 2008 e 2014.

Não demorou a que as suspeitas de má conduta sexual e tráfico de influências provocassem impacto negativo no seio do Comité, que já viu quatro dos membros a darem por terminada a participação na escolha/anúncio do vencedor do mais importante prémio mundial de literatura.

Por isso, em dezembro, Sara Danius abriu um inquérito, procurando averiguar as relações dos vários envolvidos com Jean-Claude Arnault. Na semana passada, a responsável, citada pelo "New York Times", disse que, embora a Academia Real Sueca não pudesse ser responsabilizada pelos alegados abusos cometidos, tinha o dever de "reagir contra isso".

O Prémio Nobel da Literatura é conhecido em outubro.

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