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"Maníaco em série", Marinésio matou duas mulheres e polícia procura outros casos

"Maníaco em série", Marinésio matou duas mulheres e polícia procura outros casos

Marinésio dos Santos Olinto, cozinheiro de 41 anos, chocou o Brasil ao confessar, na segunda-feira da semana passada, os homicídios de duas mulheres. Depois da detenção, começaram a surgir outros casos e vítimas que podem estar ligados ao assassino, tratado pela polícia como "maníaco em série".

Marinésio nasceu em Bayeux, estado de Paraíba, uma cidade com cerca de 96 mil habitantes. Mudou-se para Brasília aos cinco anos, com a família. Tem cerca de 1,60 metros e tem cabelo comprido.

Atualmente, morava numa casa humilde, no Vale do Amanhecer. É casado e tem uma filha de 17 anos. Passou cerca de dois meses desempregado mas, há 40 dias, conseguiu uma oportunidade e estava em período de experiência num supermercado.

O homem foi detido no dia 25 de agosto, na sequência do desaparecimento e morte de Letícia Curado, a suposta última vítima de uma série que poderá ser mais longa do que se imaginava.

Na sexta-feira 23 de agosto, depois de a advogada de 26 anos não aparecer à hora de almoço, nem ligar ou mandar mensagem, a família foi à polícia denunciar o desaparecimento. A jovem tinha ido sozinha até à paragem de autocarro para ir para o trabalho.

A polícia começou a investigar onde a jovem poderia estar. Ponderaram algumas hipóteses e, entre elas, surto psicológico e sequestro. Na manhã de sábado, dia 24, os investigadores conseguiram imagens de segurança da região onde Letícia tinha desaparecido, em Planaltina. Ao ver as imagens de segurança de uma loja, para identificar atitudes suspeitas, repararam num veículo prateado que passou duas vezes e parou na paragem de autocarro onde Letícia estava.

Ao abordar o dono de carro, que era Marinésio, os policias encontraram, no porta-luvas do carro, uma bolsa, com material escolar e um relógio, objetos pessoais de Letícia. O telemóvel da vítima também se encontrava no carro, mas justificou que os itens tinham sido comprados por ele.

No dia do desaparecimento de Letícia, Marinésio disse às autoridades que foi levar a filha ao colégio. Depois, foi a casa da irmã, por volta das 9.50 horas, mas não conseguiu explicar o que fez o resto do dia. Com indícios fortes de crime, a polícia conseguiu detê-lo.

Na segunda-feira, dia 26, confessou ter matado duas mulheres: Letícia Sousa Curado e Genir Pereira de Sousa, de 47 anos. Letícia nessa semana e Genir no dia 12 de junho. "Só peço desculpas a todos. A minha família não merecia estar a passar por isto. Vou pagar pelo que fiz", disse o homem. O cozinheiro desempregado confessou abordar Genir Pereira de Sousa, numa paragem de autocarro em Arapoanga, e mata-la por resistir ao assédio.

Depois de ter sido detido, outras vítimas identificaram Marinésio noutros casos. Uma adolescente de 17 anos contou ter sido violada por ele no dia 1 de abril e que, depois, ele a tentou asfixiar. Apresentou queixa de violência sexual em julho. Na manhã do dia 27 de agosto, foi à esquadra para identificá-lo.

Uma outra alegada vítima contou que entrou no carro de Marinésio, no dia 11 de agosto, na Rodoviária de Planaltina, em direção ao Vale do Amanhecer. No caminho, saltou do carro em movimento, quando o condutor começou a passar-lhe a mão na perna. Já a 24 de agosto, duas outras mulheres aceitaram boleira do suspeito, mas conseguiram escapar quando ele as começou a assediar.

Mas os casos amontoam-se e uma das vítimas deu a cara. Em 2015, a brasileira diz ter sido abordada pelo suspeito cerca das 22 horas e obrigada a entrar no carro com uma faca. Já numa zona de mato, tentou-se fazer-se de morta enquanto ele a asfixiava, para que ele desistisse de lhe apertar o pescoço. Nessa altura, consegui dar-lhe um pontapé e fugir, encontrando no caminho um polícia de mota, que a ajudou. Percebeu quem era o seu agressor ao ver a fotografia na televisão.

As autoridades ainda não têm provas para classificar o homem como serial killer, já que só há dois homicídios associados a Marinésio, mas uma especialista na temática explicou ao jornal "Correio Braziliense", que é pouco credível que o suspeito tenha chegado a este ponto, sem deixar outras vítimas.

"Ele deve ser, sim, e é preciso, como a polícia está fazendo, procurar nos arquivos anteriores, porque acredito que vão encontrar outras mortes. O estágio de violência do crime é muito alto para ele estar num segundo assassinato", explicou Ilana Casoy, sem, no entanto, afirmar de forma definitiva que se trata de um assassino em serie.

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