Hong Kong

Manifestantes continuam a protestar junto à sede do governo de Hong Kong

Manifestantes continuam a protestar junto à sede do governo de Hong Kong

Milhares de pessoas continuam concentradas junto à sede do governo de Hong Kong, "fazendo ouvir a sua voz individual", num protesto que deixou de ser só dos estudantes ou do movimento "Occupy Central".

"Há duas semanas nenhum de nós esperava uma manifestação desta dimensão. Cada uma das pessoas que está hoje aqui a manifestar-se é líder dela própria. Todas elas são líderes", afirmou o secretário-geral da Federação de Estudantes de Hong Kong, Eason Chung.

Para o dirigente estudantil, de 22 anos, a carga policial registada na noite de domingo uniu ainda mais as pessoas na luta pacífica em prol da democracia na Região Administrativa Especial chinesa.

"As pessoas recuaram no início quando os polícias começaram a lançar gás lacrimogéneo mas depois permaneceram firmes porque os nossos cidadãos estão prontos, toda a sociedade está pronta", realçou o estudante da Universidade Chinesa de Hong Kong.

Eason Chung assumiu um papel ativo na liderança da Federação depois de o seu dirigente, Alex Chow, ter sido detido pelas autoridades locais, que entretanto, esta manhã, o colocaram em liberdade.

Os protestos estudantis, iniciados há uma semana com um boicote às aulas, saíram reforçados com o apoio do movimento "Occupy Central", que no domingo antecipou a sua campanha de desobediência civil prevista para a próxima quarta-feira, dia 1 de Outubro, Dia Nacional da China.

A adesão à causa superou as expectativas de Chan Kin-man, cofundador do "Occupy Central", que sublinhou que "vai para além daquilo que se podia imaginar" durante o período de preparação da campanha de desobediência civil por parte do grupo, criado em janeiro de 2013. O atual resultado é "espetacular", realçou.

Chan Kin-man enalteceu a coragem da população ao não reagir violentamente à carga policial: "Temos de manter o princípio de não violência. Ninguém ateou fogo, nenhuma janela foi quebrada, no final das contas, manteve-se um protesto pacífico e foi o Governo quem recorreu à violência".

As movimentações em várias zonas de Hong Kong, mas sobretudo nos distritos financeiro e comercial, estão a ser acompanhadas e relatadas em tempo real por várias plataformas online como a "HK Democracy Now".

Os relatos feitos no Facebook já estavam disponíveis em nove línguas, incluindo português. Um comentário publicado em língua portuguesa pela plataforma dizia que a imprensa internacional tinha designado este movimento como "revolução do guarda-chuva".

"Na verdade, isto mal pode ser chamado de revolução, mas 'movimento do guarda-chuva' daria um belo nome", lê-se na mesma página do Facebook da organização. "As únicas 'armas' que temos, na sua maioria são guarda-chuvas, usados para bloquear o sol e a chuva. As pessoas de Hong Kong querem apenas estabilidade", refere-se ainda num comentário em que se destaca "uma campanha suave mas determinada".

Pelas 22 horas locais (15 em Lisboa) assistia-se a uma dispersão dos manifestantes, mas milhares de pessoas continuavam concentradas junto ao complexo de Tamar, que alberga o gabinete do chefe do Executivo, o Conselho Legislativo (parlamento) e as principais secretarias do governo de Hong Kong.

Contactada pela agência Lusa, a polícia de Hong Kong não deu estimativas do número de pessoas que estariam a participar nos protestos nas ruas da antiga colónia britânica. Segundo as autoridades, desde sexta-feira, foram detidas 89 pessoas e 41 outras, incluindo agentes policiais, ficaram feridas.

No dia em que o Governo de Hong Kong anunciou a retirada das ruas da polícia de choque, uma porta-voz da polícia disse não ter informação sobre eventuais detenções realizadas esta segunda-feira.

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