Ucrânia

Maquilhadora reconhece vítima em Bucha pela manicure

Maquilhadora reconhece vítima em Bucha pela manicure

A fotografia da mão de Iryna Filkina, no chão, coberta de terra e com as unhas pintadas de vermelho, é uma das muitas imagens angustiantes que chegaram do massacre de Bucha, na Ucrânia. Sabe-se agora que é Iryna graças a Anastasiia Subacheva, uma maquilhadora profissional, que reconheceu a cliente através da manicure.

Anastasiia Subacheva dava aulas de maquilhagem a Iryna Filkina, de 52 anos, operadora numa estação de aquecimento, desde fevereiro. A mulher natural de Bucha tinha o sonho de ser "famosa" e, para aumentar o número de seguidores no Instagram, queria sentir-se bonita, disse a maquilhadora ao "The New York Times". Foi por isso que as duas se conheceram dias antes do início da invasão.

As mãos que vira a segurar um pincel, um baton ou a espalhar base na cara estavam agora sem vida, caídas no chão, mas as unhas pintadas na perfeição com verniz vermelho e branco destacaram-se no cenário de destruição da cidade dos subúrbios de Kiev, onde os russos terão cometido atrocidades contra a população civil ucraniana. "Quando a vi, senti que o meu coração ia parar", admite Anastasiia, que fugiu para a cidade de Kropyvnytskyi com a família.

A filha de Iryna, Olha Shchyruk, que tinha fugido de Bucha no início da guerra, disse ter recebido a notícia, a 6 de março, de que a mãe tinha sido baleada na véspera quando regressava do trabalho de bicicleta. No entanto, durante cerca de um mês, a filha manteve a esperança de que a mãe ainda pudesse estar viva.

"Eu sabia que não era possível [estar viva] porque não tinha notícias dela há um mês", confessou Olha, numa publicação do Telegram, na quarta-feira. "Mas uma criança estará sempre à espera da sua mãe", acrescentou.

Na sexta-feira - no dia de aniversário de Iryna - a filha recebeu um vídeo da mãe morta, bem como uma fotografia da sua mão. "Mesmo sem verniz eu teria reconhecido a mão da minha mãe", garantiu.

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Apesar da certeza da morte, Olha continua à procura do corpo para poder fazer o funeral e despedir-se da progenitora.

Após a retirada das tropas russas de Bucha, no noroeste da capital ucraniana, o Mundo foi confrontado com as duras imagens do massacre de civis na cidade: corpos espalhados pelas ruas, alguns de mãos atadas atrás das costas e ainda enormes valas comuns com dezenas de pessoas A Ucrânia falou em "genocídio" e a Rússia continua a negar as acusações, apesar das provas.

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