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Márcio está há dois meses em Marrocos sem conseguir voltar

Márcio está há dois meses em Marrocos sem conseguir voltar

Márcio Santos está desde março a tentar voltar de Marrocos para Portugal e diz que não tem recebido apoio da Embaixada. O Ministério dos Negócios Estrangeiros, que já ajudou 275 portugueses a regressar, responde que o cidadão podia ter embarcado num voo de repatriamento caso tivesse manifestado a intenção atempadamente.

Há quase oito anos que Márcio se vai dividindo entre dois países e continentes. De Portugal, ruma para Marrocos, onde trabalha no ramo automóvel durante períodos de três a quatro semanas, que alterna com curtas idas a casa, em Castelo Branco. Era para lá, onde tem a mulher e uma filha de quatro anos à espera, que Márcio se preparava para ir, a 17 de março, quando as fronteiras com Portugal fecharam (a suspensão tinha entrado em vigor dois dias antes).

Sem residência em Marrocos, estava em Tânger desde o início de fevereiro e planeava regressar ao país de origem quando o contrato de trabalho terminasse (ia fazê-lo pela última vez, depois já não voltava a trabalhar ali). Impedido de voar, ainda tentou sair por via terrestre em Ceuta, onde "15 quilómetros de autocaravanas" tentavam a mesma sorte, mas o facto de se deslocar num veículo com matrícula marroquina foi travão para seguir viagem. "A Polícia não me deixou sair, mesmo depois de explicar a situação", contou ao JN o português, que ficou a viver numa casa cedida pela empresa para quem presta serviços e de onde não tem autorização para sair - para isso, precisava de um documento dado pelas autoridades policiais, a que diz não ter direito por não ter residência. "Arrisco uma multa de 600 dirhams [60 euros] sempre que saio para comprar comida".

Diz que desde então tem contactado com a Embaixada de Portugal em Rabat, a pedir ajuda para o repatriamento. "Responderam-me a dizer que não havia hipótese de repatriar", alega, lamentando não ter sido informado sobre os voos de repatriamento de cidadãos nacionais em Marrocos que o Governo realizou. "Soubemos só pela Comunicação Social". Fala no plural porque se refere a outros portugueses que estão nas mesmas condições e também têm lamentado a inoperação da Embaixada.

MNE: "Podia ter regressado caso tivesse dado conta da situação atempadamente"

Ao JN, fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) lembrou que "importa não fazer uma inversão do ónus da informação: era ao cidadão retido que cumpria informar a Embaixada da sua vontade de regressar, como de resto fizeram todos os 275 nacionais que regressaram nos quatro voos excecionais realizados por Portugal". E, de acordo com o MNE, Márcio "só sinalizou a sua situação à Embaixada no dia 21 de abril (via Facebook, sendo o primeiro e-mail de dia 22 de abril, a pedido da Embaixada)". Disse ainda que "não foi atingida a capacidade total desses voos, pelo que o cidadão nacional podia ter regressado caso tivesse dado conta da sua situação atempadamente".

A mesma fonte garantiu que a "Embaixada de Portugal em Rabat tem respondido e acompanhado todas as situações reportadas" e que, "no âmbito da articulação europeia, a missão portuguesa tem incluído e continuará a tentar incluir cidadãos nacionais nos poucos voos que têm sido organizados por outros Estados-Membros".

"Excetuando os cidadãos nacionais com residência em Marrocos ou que alternam a sua residência entre Portugal e Marrocos, há registo de cinco portugueses que ainda não conseguiram regressar", detalhou.

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