1972-2020

Marido de Isabel dos Santos morre afogado no Dubai

Marido de Isabel dos Santos morre afogado no Dubai

Morreu Sindika Dokolo, marido de Isabel dos Santos. Tinha 48 anos.

O empresário congolês Sindika Dokolo, marido da empresária angolana Isabel dos Santos, morreu esta quinta-feira no Dubai, disse à Lusa fonte ligada à família.

A imprensa congolesa adianta que Sindika Dokolo morreu no Dubai, quando praticava mergulho. Foi vítima de afogamento enquanto fazia mergulho de apneia, uma atividade que praticava com frequência.

Isabel dos Santos havia partilhado, na sua página da rede social Facebook, uma fotografia da família a bordo de uma embarcação, horas antes da morte do marido. A imagem, sem qualquer legenda, originou vários comentários de seguidores da empresária a expressarem as condolências.

Empresário e colecionador de arte, Sindika Dokolo, de 48 anos, era casado com Isabel dos Santos, empresária e filha do antigo presidente angolano José Eduardo dos Santos, com quem tinha quatro filhos.

A notícia foi avançada pela imprensa congolesa e as mensagens de condolências multiplicaram-se nas redes sociais, como a de Michée Mulumba, assistente pessoal do presidente congolês, Felix Tshisekedi: "Foi durante um mergulho submarino que partiste para a eternidade. Uma atividade habitual que te arrancou do teu combate, dos teus próximos. Descansa em paz, caro Sindika Dokolo", escreveu, no Twitter.

Tal como Isabel dos Santos, os negócios de Sindika Dokolo estavam a ser investigados pela justiça angolana, na sequência das revelações do Consórcio Internacional de Jornalistas que ficaram conhecidas como "Luanda Leaks".

Sindika Dokolo e a mulher são suspeitos de terem lesado o Estado angolano em milhões de dólares e foram alvo de arresto de bens e participações sociais em empresas, em dezembro do ano passado, por determinação do Tribunal Provincial de Luanda.

Nascido no antigo Zaire, a 16 de maio de 1972 (atual República Democrática do Congo) era filho do banqueiro Augustin Dokolo Sanu, e da sua segunda mulher, a dinamarquesa Hanne Taabbel. Frequentou o liceu Saint Louis de Gonzague, em Paris, e prosseguiu os estudos na Universidade Paris Vi Pierre et Marie Curie.

Inspirado pelo pai, amante de arte, começou a sua coleção de arte quando tinha 15 anos e criou mais tarde a Fundação Sindika Dokolo, a fim de promover as artes e festivais de cultura em Angola e noutros países.

Em 2016 comprou a Casa Manoel de Oliveira, no Porto. "Neste espaço vamos promover redes de reflexão artística e fortalecer laços entre Portugal e Angola, a Europa e África, numa ode à arte enquanto elemento unificador de povos e países", salientou, na ocasião, Sindika Dokolo.

Em outubro do ano passado, a sua Fundação comprou e repatriou para Angola 20 peças de arte que tinham sido levadas de museus angolanos para coleções estrangeiras e preparou-se para entregar ao museu de Kinshasa a primeira peça congolesa recuperada, segundo uma entrevista concedida na altura à agência Lusa.

Crítico dos quase 20 anos do regime do presidente Joseph Kabila na República Democrática do Congo, Sindika Dokolo esteve cerca de cinco anos no exílio, devido aos processos movidos contra si em Kinshasa, tendo regressado apenas em maio de 2019, já depois da chegada ao poder de Félix Tshisekedi, que tomou posse como chefe de Estado congolês em janeiro.

Em fevereiro de 2016, ainda com José Eduardo dos Santos nas funções de presidente em Angola, a Fundação Sindika Dokolo entregou ao chefe de Estado, no Palácio Presidencial, em Luanda, duas máscaras e uma estatueta do povo Tchokwe (leste de Angola), que tinham sido saqueadas durante o conflito armado, recuperadas após vários anos de negociação com colecionadores europeus.

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