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Timor-Leste

Massacre denunciado por jornalistas estrangeiros

Massacre denunciado por jornalistas estrangeiros

O que se passou no cemitério de Santa Cruz, em Díli, nesse dia 12 de Novembro de 1991, só transpôs as fronteiras do território graças ao trabalho de três jornalistas estrangeiros que assistiram - e sentiram na pele - ao massacre.

Max Stahl, repórter britânico habituado a cenários de conflito, filmou o ataque das tropas ocupantes e conseguiu esconder a cassete no próprio cemitério antes de ser levado para interrogatório.

Alguns dias mais tarde, com a ajuda dos colegas americanos Amy Goodman e Allain Nairn, também agredidos pelas forças indonésias, conseguiu com que um jornalista australiano, Saskia Kouwenberg, levasse a cassete para fora o território e divulgasse publicamente as imagens.

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Essas imagens correram mundo rapidamente e despertaram, finalmente, a atenção da comunidade internacional para o que se passava em Timor-Leste, ocupado pelas forças indonésias desde 1975.

"Não entendo como é que a ONU consegue ter dois pesos e duas medidas. Na altura, já havia várias denúncias das atrocidades que aqui se passaram e não fizeram nada até essa altura", crítica, ao JN, David Ximenes, actual deputado da Fretilin e, na altura, vice-presidente do Conselho Nacional de Transição de Timor-Leste. "Este ano, com a Líbia, actuaram logo".

Max Stahl também tem uma posição crítica relativamente às Nações Unidas. "Historicamente, isto ainda é uma gota de água. É muito fácil para os das Nações Unidas, que chegam aqui com bons salários e que não têm responsabilidades sobre as consequências das suas próprias actuações e projectos", afirmou, à agência Lusa, em Díli.

O jornalista fundou, na capital timorense, o Centro Audiovisual Max Stahl em Timor-Leste, onde procura arquivar as imagens da independência e do crescimento do país desde que restaurou a independência, no dia 20 de Maio de 2002.

Recentemente estrou no país um documentário intitulado "Timor à procura", que já foi exibido em todos os distritos e que este sábado vai ser projectado no Palácio do Governo.

Segundo explicou à Lusa, o filme retrata não só os acontecimentos de há 20 anos, mas toda a luta do povo timorense para encontrar os restos mortais das vítimas do massacre que ainda não foram encontrados.

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