Saúde

Medicamento para tratar um tipo de alopecia perto de chegar à Europa

Medicamento para tratar um tipo de alopecia perto de chegar à Europa

Um medicamento para tratar a alopecia areata foi aprovado este mês nos Estados Unidos (EUA) e a Europa também já mostrou interesse em utilizar o fármaco. O baricitinib, medicamento em questão, já é usado para tratar a artrite reumatoide.

A Food and Drug Administration (FDA), autoridade de Saúde dos Estados Unidos, aprovou, este mês, o medicamento baricitinib para o tratamento de alopecia areata, uma doença dermatológica autoimune que se caracteriza, habitualmente, por áreas localizadas de perda de cabelo ou pelo, ou peladas.

"O acesso a opções de tratamento seguras e eficazes é fundamental para o número significativo de americanos afetados pela alopecia grave. A medida ajudará a atender a uma necessidade significativa dos pacientes com a doença", garantiu Kendall Marcus, diretor do departamento de Dermatologia e Medicina Dentária do Centro de avaliação e pesquisa da FDA, em comunicado.

A alopecia areata afeta 2% dos cidadãos em algum momento da vida e geralmente resume-se a pequenas manchas carecas (chamadas de peladas) do tamanho de moedas. Em casos extremos, o cabelo cai completamente, às vezes em apenas alguns dias. Com o fármaco baricitinib, o cabelo nasce novamente, como se por magia, em poucas semanas.

O medicamento já foi aprovado pela FDA e a Agência Europeia de Medicamentos recomendou a sua autorização há um mês. Um porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Stefan de Keersmaecker, afirmou que a decisão final do organismo deve ser tomada nos próximos sete dias, avança o "El País".

A aprovação deste medicamento foi baseada nos resultados de dois testes clínicos, que contaram com a participação de 1200 adultos com alopecia grave. Como qualquer outro medicamento, este também apresenta efeitos secundários, descritos pela FDA: infeções do trato respiratório superior, acne, dor de cabeça ou até colesterol elevado.

O dermatologista Sergio Vañó, diretor da Unidade de Tricologia do Hospital Ramón y Cajal, de Madrid, garante que o medicamento é seguro. "A melhoria da qualidade de vida e da autoestima do doente na recuperação do cabelo compensa o possível risco destes efeitos secundários", afirma Vañó, em declarações ao "El País".

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Mas nem tudo são rosas. "Uma desvantagem destes tratamentos é que eles não curam. É um tratamento que faz efeito enquanto é feito", diz o dermatologista ao "El País". "Quando o paciente deixa de tomá-lo, a tendência é que piore novamente. É uma descoberta, mas não é uma solução", assevera.

Um preço (muito) pouco convidativo

O farmacêutico Jesús Sierra, do Hospital Universitário de Jerez de la Frontera (Cádiz) afirma ao "El País" que, com base na eficácia parcial observada em ensaios clínicos, se por cada três doentes tratados o cabelo de um deles for recuperado, seriam necessários quase 34 mil euros por ano para ter sucesso numa única pessoa.

O farmacêutico diz que "deveria ser feita uma seleção adequada dos doentes que mais poderiam beneficiar do tratamento" bem como "negociar com a farmacêutica para rever o preço atual". A farmacêutica Eli Lilly, responsável pelo medicamento, ganhou cerca de 5 mil milhões de euros no ano passado.

O que é e como se pode tratar?

A alopecia areata é uma doença autoimune que provoca peladas na cabeça, que pode evoluir para a perda total de cabelo ou até dos pelos de todo o corpo. Os sintomas que fazem desencadear a alopecia são essencialmente fatores hormonais e ambientais, stress agudo e alterações repentinas na alimentação. A ansiedade e a depressão também podem originar a doença. Há ainda que ter em conta as influências genéticas.

Relativamente ao tratamento, este varia consoante a gravidade do problema. Em alguns casos, basta a utilização de cremes, champôs ou loções específicas ou de formulações injetadas diretamente nas peladas. Nas formas mais agressivas, é frequente o uso da medicação sistémica.

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