Epidemia

Médico de Wuhan sobre novo vírus: "Estou assustado"

Médico de Wuhan sobre novo vírus: "Estou assustado"

O novo vírus de pneumonia viral que está a alastrar na China levou as autoridades a "fecharem" três cidades com mais de 18 milhões de habitantes. "Estou assustado", confessou um médico de Wuhan à BBC.

"O vírus está agora a propagar-se a um nível alarmante. Os hospitais foram inundados com centenas de pacientes, que esperam horas para serem atendidos por um médico - podem imaginar o pânico", relata o médico de um hospital de Wuhan, à BBC.

Os primeiros casos do vírus "2019 - nCoV" apareceram em meados de dezembro nesta cidade chinesa, capital da província central de Hubei, com 11 milhões de habitantes.

"Normalmente, Wuhan é um ótimo lugar para viver e temos orgulho no nosso trabalho - especialistas desenvolveram um guia sobre o diagnóstico e tratamento do coronavírus. Mas estou assustado porque é um novo vírus e os dados são preocupantes", confessou o médico.

Devido ao aumento diário de mortos e casos confirmados - atualmente são 17 vítimas mortais e 571 doentes infetados, além de perto de cinco mil pessoas sob vigilância - as autoridades chinesas decidiram proibir as entradas e saídas de Wuhan, suspendendo as ligações de avião, comboio, metro, autocarro e ferries. Medidas idênticas foram tomadas nas cidades vizinhas de Huanggang (seis milhões de residentes) e Ezhou (um milhão de pessoas).

"Há dois dias foi-nos dito para não ir trabalhar devido ao risco de infeção. Se sairmos da nossa residência no campus do hospital, temos de usar máscaras", descreve o médico, que tem ainda outra preocupação: "Não queremos levar a nossa filha de dois anos para o exterior. Estamos a tentar protegê-la o mais possível - lavando as mãos, renovando o ar do apartamento, evitando o contacto com pessoas. Lá fora, é difícil ver alguém nas ruas". E acrescentou: "Fui ao supermercado para comprar comida, mas não havia nada - nem vegetais nem bolachas".

O surto surge numa altura em que milhões de chineses viajam, por ocasião do Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas, equivalente ao natal nos países ocidentais. "Algumas celebrações do Ano Novo Lunar foram canceladas. Há quem tenha comprado bilhetes [de transportes] para ir a casa no Ano Novo Lunar mas agora não podem ir. Está toda a gente presa aqui e não pode sair".

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