Covid-19

Médico explica tratamento do "paciente um", que espalhou o coronavírus em Itália

Médico explica tratamento do "paciente um", que espalhou o coronavírus em Itália

Raffaele Bruno usa máscara, um fato de proteção, gorro, luvas, botas. Não sabe quantas horas seguidas trabalhou, umas 80, acredita, a tratar pacientes com coronavírus, num hospital no norte de Itália, foco principal do Covid-19 naquele país.

Entre os doentes ao cuidado de Raffaele Bruno está Mattia, o chamado "paciente um" de Itália, um homem com uma vida social ativa e que terá espalhado o vírus com atividades desportivas e sociais na cidade de Codogno. Tem 38 anos e terá contraído o vírus num jantar com um amigo, assintomático, que viajou da China, o chamado "paciente zero."

Em entrevista ao jornal italiano "Corriere della Sera", Raffaele Bruno explica o tratamento que está a ser feito a Mattia. "Estamos a usar terapias experimentais", disse o médico. "Para o coronavírus não existe uma cura específica, porque é um vírus novo que passou de um animal para outro", explica, ao telefone com aquele jornal.

Médico no hospital São Matteo, em Pavia, no epicentro do coronavírus em Itália, Raffaele explica que o "paciente um" está a ser tratado com "uma mistura de medicamentos", entre os quais se encontra "um fármaco para o HIV", o síndrome de imunodeficiência humana, que era usado há alguns anos.

"É administrado duas vezes ao dia, como a Ribavarina, um antiviral usada para a gripe", eficaz em vírus como o do sarampo, rotavírus ou febre hemorrágica. Segundo Raffaele Bruno está a ser usado o Lovipanir, um "antirretroviral que pertence à classe dos inibidores de protéase, uma enzima presente tanto no coronavírus como no HIV".

Na China foi aprovado o uso do antiviral Remdesivir, um fármaco que está a ser usado, também, em ensaios clínicos para tratar o ébola e que mostrou bons resultados laboratoriais no tratamento da Síndrome Respiratória do Médio Oriente, uma doença provocada por um coronavírus, conhecida pelo acrónimo MERS e que causou cerca de 800 mortos em 2012.

"Para salvar" Mattia e os outros pacientes, estão também "a ser administrados antibióticos, para prevenir infeções bacterianas" que possam debilitar os organismos dos pacientes. "Até ao momento, temos de estar satisfeitos com os resultados preliminares, que são animadores. Estes tratamentos mostraram ter efeitos em laboratório e são usados na China e na Coreia" do Sul, argumentou Raffaelo Bruno, que não revelou pormenores sobre o "paciente um", que está internado naquele hospital desde o dia 19 de fevereiro.

As autoridades italianas anunciaram, esta terça-feira, a existência de 50 novos casos de infetados com Covid-19, existindo agora no país um total de 283 pessoas contagiadas em oito regiões diferentes.

Em conferência de imprensa, o presidente da Proteção Civil italiana, Angelo Borrelli, disse que há agora casos do novo coronavirus nas regiões da Toscana e da Sicília.

A maioria dos casos estão concentrados na região de Lombardia (norte), origem do foco da epidemia em Itália e onde estão contabilizadas 212 pessoas contagiadas, seguindo-se Véneto, com 38 casos, Emilia Romanha (norte), com 23, Piamonte (norte) com três, Toscana (centro) com dois, um na Sicilia (sul) e um em Alto Adigio (norte). No que diz respeito ao caso da Sicília, o paciente é proveniente de Lombardia.

O balanço provisório da epidemia do coronavírus Covid-19 é de 2705 mortos e mais de 80 mil pessoas infetadas, de acordo com dados reportados até esta terça-feira, por cerca de 30 países.

Além de 2665 mortos na China, onde o surto começou no final do ano, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Filipinas, França e Taiwan.

Em Portugal, já houve 15 casos suspeitos, que resultaram negativos após análises, estando um novo caso a ser avaliado.

A Organização Mundial de Saúde declarou o surto do Covid-19 como uma emergência internacional e alertou para uma eventual pandemia, após um aumento repentino de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão nos últimos dias.

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