Pandemia

Médicos em Paris: "Nunca conhecemos uma situação assim, nem durante os ataques terroristas"

Médicos em Paris: "Nunca conhecemos uma situação assim, nem durante os ataques terroristas"

Médicos dos cuidados intensivos em Paris afirmaram este domingo que o aumento do número de casos de covid-19 pode em breve sobrecarregar a sua capacidade para tratar dos doentes, podendo forçá-los a escolher que pacientes tratar.

O aviso foi feito este domingo num artigo de opinião assinado por 41 médicos da região de Paris, publicado no Le Journal du Dimanche, surgindo numa altura em que o Presidente francês, Emmanuel Mácron, tem defendido a sua decisão de não avançar com um confinamento total do país, como fez em 2020.

Desde janeiro, o Governo liderado por Macron tem imposto um recolher obrigatório e outro tipo de restrições.

Mas, com o número de infeções a aumentar e os hospitais a ficarem com falta de camas nos cuidados intensivos, os médicos têm pressionado o Governo para um confinamento total.

"Nós nunca conhecemos uma situação como esta, nem durante os ataques [terroristas]"afirmaram os médicos no artigo publicado no Le Journal du Dimanche, referindo-se aos atos reivindicados pelo autoproclamado Estado Islâmico em 2015, que mataram mais de 130 pessoas e encheram as urgências de Paris com feridos.

Os médicos preveem que as restrições mais leves impostas neste mês em Paris e noutras regiões não vão rapidamente colocar a situação epidemiológica sob controlo.

Estes profissionais de saúde alertam que os recursos dos hospitais não terão capacidade para dar resposta a todas as necessidades, forçando-os a praticar "medicina de catástrofe" nas próximas semanas.

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"Nós seremos obrigados a triar os pacientes para salvar o máximo de vidas possíveis. Esta triagem vai afetar todos os pacientes, com e sem covid-19, particularmente para doentes adultos", notaram.

Macron continua a recusar avançar com um confinamento total, como outros países europeus fizeram no início deste ano, mesmo quando se registam mais de duas mil mortes por semana que empurram o país para o número de 100 mil vidas perdidas para a pandemia.

O país regista mais de 94 mil mortes por covid-19.

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