O Jogo ao Vivo

Nápoles

Menino italiano de 11 anos morre devido a "armadilha" na Internet que incita ao suicídio

Menino italiano de 11 anos morre devido a "armadilha" na Internet que incita ao suicídio

Um menino de 11 anos morreu, na noite de terça-feira, ao atirar-se do 11.º andar da sua casa, em Nápoles, Itália. A criança deixou uma mensagem de despedida aos pais, dizendo que não tinha "mais tempo", e as autoridades estão a investigar uma possível ligação a um desafio na Internet, como o do "Homem Pateta", que incita à automutilação e suicídio de menores.

"Mãe, pai, eu amo-vos. Agora tenho que seguir o homem do capuz negro. Não tenho mais tempo. Perdoem-me". Esta foi a mensagem que o menino de 11 anos enviou por telemóvel aos pais, antes de se atirar do 11.º andar, à meia-noite e meia de terça-feira.

Segundo a notícia do jornal italiano "Corriere della Sera", a lucidez e a urgência que a criança demonstrou na mensagem de despedida "assustaram" os investigadores do Ministério Público de Nápoles, que abriu um processo do caso por instigação ao suicídio. As autoridades acreditam que a criança poderá ter caído numa "armadilha" na Internet, tendo sido forçada por alguém a matar-se, possivelmente para salvar a vida da família ou a si mesma.

Os contornos do caso fazem lembrar outros desafios perigosos nas redes sociais, como o da "Baleia Azul", que levou ao suicídio de mais de duzentas crianças em todo o Mundo entre 2017 e 2019, ou da boneca "Momo", em 2018. O desafio da "Baleia Azul" levava as crianças a infligirem ferimentos visíveis e a matarem-se num período de mais de um mês. No entanto, a vida do menino teria mudado em poucos dias e, pelos dados que foram recolhidos até agora pela Polícia, poderá tratar-se de outro jogo muito parecido, como o do "Homem Pateta". Nesses perfis, criados em redes sociais com o Instagram ou o TikTok, alguém se apresenta com o nome "Jonathan Galindo" e mostra-se com a fotografia de um homem fantasiado de Pateta, personagem da Disney.

Através das redes sociais, uma ou mais pessoas contactam crianças e adolescentes para roubarem informações sobre os seus hábitos, a sua família e testá-los com desafios, que no início são coisas muito simples, mas passam rapidamente a incitá-los à automutilação e suicídio.

As crianças são atraídas para "chats" muito comuns com pedidos de amizade nas redes sociais. Há dois dias, as autoridades confiscaram o telemóvel e a consola que o menino usava para se conectar à Internet e para jogar. Um especialista tentará reconstituir as últimas conversas da criança e um procurador ouvirá alguns dos amigos, que podem saber um pouco mais.

O ministro italiano dos Assuntos Regionais, Francesco Boccia, comentou o caso nas redes sociais: "Aquele menino é filho de todos nós. Pedimos penas exemplares e tolerância zero para quem instiga o suicídio".

"Homem Pateta" deixou Brasil em alerta

O caso do "Homem Pateta" ganhou repercussão no Brasil no passado 17 de junho, quando a Polícia Civil e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina emitiram um alerta a pais, professores e outros responsáveis sobre perfis nas redes sociais "que têm assustado crianças na Internet com conteúdo de terror e mensagens que podem induzir ao suicídio".

No final de junho, as autoridades brasileiras divulgaram uma série de alertas para pais de crianças que utilizam diariamente a Internet e em especial as redes sociais. No entanto, esses perfis começaram a aparecer na Europa em 2017, com publicações em espanhol.

As autoridades reconheceram, porém, que as evidências são frágeis e afirmaram que a pesquisa sobre o suposto "Homem Pateta" não resultou em "nada de concreto", justificando o alerta como uma forma de prevenção e de estímulo ao controlo dos pais e responsáveis sobre os conteúdos a que os filhos acedem nas redes sociais.

Em julho, a Polícia Judiciária afirmou não ter registo de qualquer caso em Portugal, mas o JN soube que há crianças portuguesas que já tiveram contacto com a personagem no TikTok.

Outras Notícias