Príncipe

Mergulhadores preparam entrada em barco naufragado à procura de portugueses

Mergulhadores preparam entrada em barco naufragado à procura de portugueses

Mergulhadores portugueses a bordo do navio NPR Zaire estão a tentar entrar na embarcação que naufragou ao largo da ilha do Príncipe, em África. Esta sexta-feira de manhã foi encontrado mais um corpo, elevando para oito no número de mortos confirmados.

"É um mergulho que comporta algum risco. A embarcação está virada para baixo e não se sabe o estado dela", disse ao JN o porta-voz do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), o comandante Pedro Coelho Dias.

"Estão a confirmar tudo por tudo para ver se há portugueses" entre os desaparecidos ou as vítimas. "Os nomes, efetivamente, são portugueses, mas não é incomum haver nomes portugueses de são-tomenses, podendo dar-se o caso, até, de ser alguém com dupla nacionalidade", acrescentou o comandante Coelho Dias.

Em declarações à agência Lusa, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro explicou que na lista de passageiros há dois nomes que, aparentemente, levam a concluir que se tratará de cidadãos portugueses. "Todavia, não é possível confirmá-lo porque não temos registo desses nomes nos nossos serviços consulares. Contudo, é sempre de admitir que pudessem estar em viagens de turismo. Mas ainda não foi possível determinar a nacionalidade desses dois passageiros que têm nomes portugueses", disse.

De acordo com o secretário de Estado das Comunidades, em circunstâncias como estas há três formas de atuar para se chegar a uma identificação: confirmação através do registo consular, através de informações das autoridades locais e pelos contactos de familiares.

"Ora, neste caso, estas três fontes de informação não se verificam, ou seja, por um lado não temos registo destes cidadãos na secção consular da embaixada e as autoridades ainda não conseguiram confirmar a identidade dos desaparecidos e, por outro lado, também não temos contactos familiares a solicitarem informações sobre estes dois nomes", destacou.

"Há o testemunho de alguém que faz o check-in no barco e diz que não passaram por lá portugueses", lembrou Coelho Dias. Perante as dúvidas, foi feito um anúncio na rádio a passar a palavra, para perceber se sempre havia portugueses a bordo e a embaixada portuguesa em São Tomé e Príncipe emitiu um pedido de colaboração, através do Facebook.

"Muito agradece a quem possa deter informações, concretas, quanto à possível presença de cidadãos portugueses, a bordo do malogrado navio Anfitriti, que contacte esta Embaixada com a máxima brevidade possível", lê-se no texto colocado online esta sexta-feira de manhã.

O presidente do governo regional do Príncipe, José Cassandra, referiu que estavam "registados três estrangeiros que vinham no barco", duas cidadãs portuguesas e um francês, embora tenha indicado tratar-se de "informações não confirmadas". Um balanço anterior das autoridades são-tomenses dava conta de duas cidadãs portuguesas desaparecidas.

O navio, que fazia a ligação entre as ilhas de São Tomé e do Príncipe, uma viagem que dura entre seis e oito horas, zarpou do porto de São Tomé com destino à cidade de Santo António e adornou já perto da ilha do Príncipe, na quinta-feira, afundando-se em seguida.

Segundo o primeiro-ministro são-tomense, Jorge Bom Jesus, o "Amfitriti" partiu na noite de quarta-feira de São Tomé com 64 passageiros e oito tripulantes a bordo, tendo sido enviado um alerta de naufrágio, por um outro navio, às 4 horas da madrugada de quinta-feira.

Cinquenta e cinco pessoas foram resgatadas com vida. Há, de acordo com o balanço mais recente, oito vítimas mortais e pelo menos 10 desaparecidos. Esta sexta-feira de manhã, o navio-patrulha NPR Zaire encontrou um corpo a boiar junto à embarcação naufragada.